A Abras, que representa o setor de varejo alimentar, intensificou suas críticas aos altos custos de transação associados ao uso de vale-alimentação. A inflação dos alimentos, que contribuiu para que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrasse 2024 com uma alta de 4,83%, preocupa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma […]
A Abras, que representa o setor de varejo alimentar, intensificou suas críticas aos altos custos de transação associados ao uso de vale-alimentação. A inflação dos alimentos, que contribuiu para que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrasse 2024 com uma alta de 4,83%, preocupa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que superou o teto da meta de inflação de 4,5%. Em 3 de fevereiro, a associação apresentou doze propostas para reduzir as taxas cobradas pelas operadoras de vale-alimentação.
A principal reclamação da Abras é que os custos de transação podem chegar a 15%, considerando taxas de transação, administração, adesão e antecipação de pagamentos. O prazo médio para o repasse dos valores aos varejistas é de 40 dias, durante os quais as operadoras aplicam os recursos no mercado financeiro, lucrando com o chamado floating. A Abras sugere um teto de apenas 0,7% para esses custos e um encurtamento do prazo de repasse para dois dias, semelhante ao que ocorre com pagamentos via cartões de débito.
Além disso, a associação propõe que o Programa de Alimentação do Trabalhador seja gerido diretamente pelo governo federal, vinculado ao eSocial. Com essa mudança, os recursos seriam depositados na conta dos trabalhadores, permitindo pagamentos via cartões de débito, pré-pagos ou PIX. A Abras estima que essa proposta poderia gerar uma economia de 10 bilhões de reais por ano para o varejo, o que poderia resultar em preços mais baixos para os consumidores.
Outras sugestões incluem a promoção da interoperabilidade entre as maquininhas, permitindo que aceitem todos os vales-alimentação, e a portabilidade, que beneficiaria os usuários ao permitir a transferência de saldos para cartões com melhores condições. Por fim, a Abras pede uma fiscalização mais rigorosa do Banco Central, ressaltando que as operadoras de voucher movimentam 190 bilhões de reais anualmente e são pouco supervisionadas.
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