Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central durante o início do Plano Real, criticou as medidas econômicas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao jornal O Globo. Ele afirmou que o governo está “dando um tiro no pé” ao adotar estratégias que vão contra os esforços do Banco Central para controlar a […]
Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central durante o início do Plano Real, criticou as medidas econômicas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao jornal O Globo. Ele afirmou que o governo está “dando um tiro no pé” ao adotar estratégias que vão contra os esforços do Banco Central para controlar a inflação. As projeções inflacionárias para 2025 estão acima da meta de 3%, com um teto de 4,5%, o que, segundo Loyola, indica a dificuldade do BC em cumprir sua missão.
Loyola destacou que as ações do governo, como a liberação de R$ 12 bilhões do FGTS e programas de crédito, contradizem os esforços do BC para reduzir a demanda e o crédito. Ele alertou que essas medidas podem impactar negativamente a popularidade de Lula, especialmente em um ano eleitoral. O economista traçou um paralelo com o governo de Dilma Rousseff, que também tentou controlar a inflação de forma artificial, resultando em perda de popularidade e impeachment.
O ex-presidente do BC enfatizou que o governo tem um diagnóstico equivocado sobre a inflação, acreditando que ela pode ser controlada por intervenções. Ele argumentou que a política fiscal expansionista pressiona a inflação, tornando o trabalho do BC mais difícil. Para Loyola, o governo está criando um ambiente macroeconômico desfavorável, o que pode resultar em inflação e juros altos em 2026.
Por fim, Loyola criticou declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que considerou normal uma inflação de até 5%. Ele ressaltou que essa normalização de níveis altos de inflação é preocupante e que o correto seria buscar reduzi-la a patamares internacionais, entre 2% e 3%. O economista concluiu que a responsabilidade pelo controle da inflação não é apenas do BC, mas de todo o governo.
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