Os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) ainda não são amplamente populares entre investidores pessoas físicas, em comparação com ações e títulos públicos. Contudo, eles têm se tornado uma recomendação frequente de assessores de investimento, refletindo em um estoque que alcançou R$ 90 bilhões em 2024, com uma média diária de 1.092 operações na B3, um […]
Os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) ainda não são amplamente populares entre investidores pessoas físicas, em comparação com ações e títulos públicos. Contudo, eles têm se tornado uma recomendação frequente de assessores de investimento, refletindo em um estoque que alcançou R$ 90 bilhões em 2024, com uma média diária de 1.092 operações na B3, um aumento de 16% em relação ao ano anterior. A maioria dos COEs está atrelada a índices, com 72% do volume financeiro vinculado a indicadores, sendo 45% de índices estrangeiros, como o S&P 500.
Os COEs funcionam como uma cesta de ativos, mas diferentemente dos fundos de investimento, seu rendimento depende de cenários futuros, como a valorização de ações ou a variação do dólar. Noventa e sete por cento dos COEs são do tipo capital protegido, garantindo ao investidor o retorno do capital aplicado, embora sem correção pela inflação. No entanto, existem estruturas que limitam os ganhos, e em cenários negativos, o retorno pode ser inferior às taxas de mercado, resultando em perdas significativas ao longo do tempo.
A liquidez dos COEs é baixa, com prazos que variam entre dois e seis anos, o que pode deixar o capital “travado”. Algumas instituições, como a XP Investimentos, oferecem mecanismos para resgates antecipados, mas isso pode acarretar perdas. Especialistas recomendam que os COEs ocupem apenas uma pequena parte do portfólio do investidor, pois oferecem acesso a mercados complexos com risco controlado. Luciano Diaferia, do Itaú Unibanco, destaca que os COEs permitem diversificação com proteção de capital, especialmente para investidores que temem o mercado internacional.
Recentemente, os COEs têm se concentrado em oportunidades no exterior, como títulos soberanos. Exemplos incluem estruturas atreladas ao S&P 500, com rentabilidades mínimas garantidas, mas que também envolvem riscos. Apesar das vantagens, a complexidade dos COEs pode levar a mal-entendidos, resultando em perdas financeiras. O Valor Investe tem recebido relatos de investidores que, ao não compreenderem completamente os produtos, enfrentaram prejuízos. Portanto, é crucial que os investidores se informem adequadamente antes de aplicar em COEs.
Entre na conversa da comunidade