Os acionistas da Eletrobras aprovaram um acordo que aumenta a participação do governo na empresa e encerra uma disputa judicial sobre o limite de voto. Com isso, o governo poderá indicar três membros para o conselho de administração e um para o conselho fiscal. Em troca, a Eletrobras não precisará mais investir na construção da usina nuclear Angra 3. A empresa também anunciou a distribuição de R$ 4 bilhões em dividendos, a maior da sua história, correspondente a 41% do lucro líquido ajustado. Durante a assembleia, foram eleitos novos membros para o conselho, incluindo os indicados pelo governo. A mudança foi bem recebida pelo mercado, com as ações da Eletrobras apresentando alta. O acordo, mediado pelo Supremo Tribunal Federal, visa trazer mais estabilidade à empresa após a privatização em 2022.
A Eletrobras (ELET3; ELET6) aprovou, em assembleia realizada na terça-feira (29), um acordo que amplia a participação do governo federal na gestão da empresa. O acordo encerra uma disputa judicial sobre o limite de voto do governo, que agora poderá indicar três membros para o conselho de administração e um para o conselho fiscal. A decisão foi mediada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a nova configuração, a Eletrobras não terá mais a obrigação de investir na usina nuclear de Angra 3. A União, que possui mais de 40% das ações da empresa, tinha seu poder de voto limitado a 10%, o que levou a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). Com a homologação do acordo, essa ação será extinta.
Durante a assembleia, os acionistas também aprovaram a distribuição recorde de R$ 4 bilhões em dividendos, correspondente a 41% do lucro líquido ajustado da companhia. O pagamento será realizado em 13 de maio. Essa é a maior distribuição de dividendos da história da Eletrobras, com R$ 0,11 por ação preferencial de classe B e R$ 0,89 por ação ordinária.
Novas Diretrizes do Conselho
O novo conselho de administração da Eletrobras terá dez membros, incluindo os três indicados pelo governo: Maurício Tolmasquim, Silas Rondeau e Nelson Hubner. Os indicados deverão deixar seus cargos em empresas concorrentes. A assembleia também aprovou mudanças no critério de desempate nas deliberações do conselho, priorizando a manifestação de conselheiros independentes.
O Bradesco BBI considera a aprovação do acordo um passo importante para a estabilidade da Eletrobras, permitindo que a empresa retome discussões sobre fundamentos, como redução de despesas operacionais e gestão de passivos. A Genial Investimentos também vê a aprovação como um avanço na estabilidade institucional da companhia, que deve continuar sua reestruturação após o acordo com o governo federal.
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