Controladores de voo no Brasil enfrentam uma rotina difícil e estressante, com muitos precisando de empregos extras para sobreviver. Um levantamento mostrou que 40% dos controladores civis têm atividades paralelas. Glauber Barbosa, um controlador de voo em Ilhéus, ganha R$ 5.200, mas, após descontos, fica com cerca de R$ 4.200, o que não é suficiente para sustentar sua família. Ele faz Uber e entregas nos dias em que não trabalha no controle de voo. Isabela Pinho, outra controladora, também busca renda extra e menciona que muitos colegas fazem marmitas ou dão aulas. A situação é preocupante, pois há mais de uma década não há concursos para novos controladores civis, e a falta de profissionais é um problema crescente. A Nav Brasil, responsável por parte do controle aéreo, planeja realizar um concurso em 2026 após sete anos sem contratações. A média salarial dos controladores civis é de R$ 6.200, mas muitos enfrentam dificuldades financeiras e precisam de empregos adicionais.
Os controladores de voo no Brasil enfrentam uma rotina desgastante e estressante, com muitos deles precisando de empregos paralelos para complementar a renda. Um levantamento do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Voo (SNTPV) revela que 40% dos controladores civis têm atividades extras para se sustentar. A situação se agrava com a falta de novos concursos, sendo que a Nav Brasil planeja um concurso público apenas para 2026, após sete anos sem contratações.
Glauber Barbosa, controlador de voo há nove anos no aeroporto de Ilhéus (BA), relata que seu salário bruto é de R$ 5.200, mas, após descontos, fica em torno de R$ 4.200. Com um filho pequeno, ele precisa trabalhar como motorista de Uber e fazer entregas nas horas vagas. “A aviação é apaixonante, mas está difícil. Vivemos uma situação desproporcional em relação à responsabilidade que temos e o que recebemos”, afirma Barbosa.
Isabela Pinho, diretora do SNTPV e controladora no aeroporto de Macaé (RJ), também enfrenta dificuldades financeiras. Com R$ 5.000 mensais, ela se afastou do trabalho técnico por questões de saúde mental. “Não conseguimos usufruir daquilo que monitoramos, que é voar e viajar”, diz Isabela. O controle do espaço aéreo é gerido pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB).
Falta de Profissionais
A escassez de controladores de voo é um problema global. Nos Estados Unidos, a defasagem é de 3.000 profissionais. No Brasil, estima-se que o número atual de controladores esteja 25% abaixo do necessário. No aeroporto de Guarulhos, por exemplo, são 41 controladores, enquanto o mínimo operacional exigido é de 65.
A FAB reconhece a necessidade de renovação, mas a situação civil é crítica. O último concurso ocorreu em 2011, e a Nav Brasil, estatal responsável pelo controle em 43 aeroportos, confirmou que está em tratativas para um novo concurso em 2026. A média salarial dos controladores da Nav Brasil é de R$ 10.977, com previsão de aumento de até 20% com a aprovação do novo plano de cargos e salários.
A Nav Brasil também informou que não interfere nas atividades extras dos empregados, mas recomenda que aproveitem os períodos de folga para descansar. A situação dos controladores civis continua a ser uma preocupação, refletindo a necessidade de melhorias nas condições de trabalho e remuneração.
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