Ramona Luna Mendoza, de 58 anos, vive em Puebla, México, e antes enviava dinheiro para sua família nos EUA, onde trabalhou como faxineira. Agora, suas irmãs, que ficaram nos EUA, mandam entre 100 e 150 dólares por semana para ajudá-la com despesas. No entanto, um novo imposto de 3,5% sobre remessas, aprovado pelo governo dos EUA, pode reduzir esses envios. O imposto, que começa em 2026, foi uma redução de uma proposta inicial de 5%. Grupos que defendem os migrantes criticaram a medida, afirmando que ela prejudica as famílias que dependem desse dinheiro. O governo dos EUA espera arrecadar 22 bilhões de dólares com esse imposto até 2034, mas especialistas alertam que muitos migrantes podem buscar formas alternativas de enviar dinheiro, como criptomoedas, para evitar o imposto. O impacto será maior em estados mexicanos onde as remessas representam uma parte significativa do PIB. A redução do imposto foi vista como uma vitória pelo governo mexicano, que continua a trabalhar para eliminar essa taxa. Em 2024, as remessas para o México atingiram um recorde de 64,7 bilhões de dólares, representando 3,5% do PIB do país.
O governo dos Estados Unidos aprovou um imposto de 3,5% sobre remessas enviadas por migrantes indocumentados, a partir de 2026. Essa medida pode impactar negativamente as finanças de muitas famílias que dependem dessas transferências, especialmente em países como México e Guatemala.
Ramona Luna Mendoza, que vive em Puebla, relatou que suas irmãs, que migraram para Los Angeles, enviam entre R$ 100,00 e R$ 150,00 semanalmente. Esse valor é crucial para cobrir despesas de casa e alimentação. Com o novo imposto, Ramona teme que suas irmãs não consigam enviar a mesma quantia. O imposto foi incluído em um extenso plano fiscal do presidente Donald Trump, que inicialmente propôs uma taxa de 5%.
A Financial Technology Association (FTA) criticou a nova taxa, afirmando que ela impõe uma carga injusta a cerca de 14% das residências nos EUA que não têm acesso a serviços bancários. A expectativa é que o governo arrecade US$ 22 bilhões entre 2026 e 2034, com uma média anual de US$ 2,7 bilhões.
Impactos Econômicos
O aumento nos custos das remessas pode levar muitos usuários a buscar alternativas, como criptomoedas, para evitar o imposto. Especialistas alertam que isso pode dificultar a arrecadação e impactar o PIB dos países de origem das remessas. Em 2024, o México recebeu um recorde de US$ 64,7 bilhões em remessas, representando 3,5% do PIB.
A diretora de Análise do Banco Base, Gabriela Siller, estima que o impacto do imposto será de US$ 2,3 bilhões, o que representa apenas 0,04% da receita total do governo dos EUA, mas é significativo para o México. Estados como Chiapas e Guerrero, onde as remessas representam mais de 10% do PIB estadual, serão os mais afetados.
Reações e Expectativas
A redução da taxa de 5% para 3,5% foi vista como uma vitória pelo governo mexicano. A presidente Claudia Sheinbaum destacou a importância das remessas para a economia de vários países, incluindo o México. O embaixador do México nos EUA, Esteban Moctezuma, considerou a diminuição do imposto um resultado do lobby realizado por autoridades mexicanas.
A FTA também expressou ceticismo sobre a aprovação do imposto no Senado, onde o partido de Trump tem controle. A proposta exclui do pagamento aqueles nascidos nos EUA, mas imigrantes com residência permanente terão que arcar com a taxa. A medida pode incentivar o uso de canais informais para o envio de dinheiro, criando novos desafios para o governo.
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