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Debate fiscal ameaça o crescimento econômico do país

Investimentos em setores como automotivo e combustíveis sustentáveis crescem no Brasil, desafiando a narrativa de descontrole fiscal.

Ministério da Fazenda em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
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  • O Brasil debateu a capacidade de atrair investimentos devido ao descontrole fiscal, com investidores preocupados com oscilações fiscais e da dívida.
  • Recentemente, o investimento produtivo cresceu em setores como automotivo e combustíveis sustentáveis, desafiando a expectativa de retração.
  • A empresa chinesa BYD anunciou um investimento de R$ 5,5 bilhões para modernizar fábricas e produzir veículos elétricos.
  • A GWM, também chinesa, planeja investir R$ 4 bilhões em uma nova fábrica em Iracemápolis, parte de um total de R$ 10 bilhões até 2032.
  • No setor de combustíveis sustentáveis, mais de R$ 40 bilhões em projetos foram anunciados, com apoio de políticas públicas e instituições como o BNDES.

Nos últimos meses, o Brasil enfrentou um intenso debate sobre a capacidade de atrair investimentos, com preocupações sobre o descontrole fiscal. A narrativa predominante indicava que investidores reagiriam negativamente a oscilações fiscais e da dívida, levando à estagnação dos projetos.

Entretanto, dados recentes mostram que o investimento produtivo cresceu em setores como o automotivo e combustíveis sustentáveis. Esse crescimento é impulsionado por políticas públicas que orientam e atraem capital, desafiando a expectativa de retração. O setor automotivo, por exemplo, viu um renascimento após anos de estagnação, com empresas globais, como a chinesa BYD, investindo R$ 5,5 bilhões para modernizar fábricas e produzir veículos elétricos.

Setor Automotivo em Ascensão

A GWM, também chinesa, anunciou um investimento de R$ 4 bilhões em uma nova fábrica em Iracemápolis, parte de um total de R$ 10 bilhões até 2032. A Anfavea prevê R$ 125 bilhões em aportes até 2033, impulsionados por um aumento na demanda e pelo programa Mover, que incentiva inovação e descarbonização.

O que se destaca é que o crescimento não se deve apenas a promessas de superávit fiscal, mas à atuação estratégica do Estado em promover a transição energética. Se o ajuste fiscal for mal calibrado, pode-se comprometer a capacidade do Estado de coordenar e planejar, resultando em menos investimento e crescimento.

Combustíveis Sustentáveis em Foco

No setor de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF), mais de R$ 40 bilhões em projetos foram anunciados, com empresas como Acelen e Petrobras. Essas iniciativas estão alinhadas com a Lei do Combustível do Futuro e envolvem articulações com instituições públicas, como o BNDES.

O caso da Acelen, que recebeu financiamento para desenvolver uma cadeia produtiva de SAF, exemplifica como a política pública pode ativar o investimento privado. O investimento não ocorre apesar do Estado, mas sim porque ele ainda consegue agir de forma coerente e fornecer sinalizações ao setor privado.

A discussão sobre a trajetória fiscal do Brasil é essencial, mas é crucial preservar e qualificar a ação pública. Desmontar os mecanismos que sustentam o investimento pode levar a uma economia estagnada e a um quadro fiscal ainda mais frágil.

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