- A economista e diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), Sandra Rios, alerta que o Brasil deve evitar medidas protecionistas em resposta às tarifas dos Estados Unidos.
- Ela destaca que o país já possui um alto grau de proteção comercial, o que pode agravar a situação econômica.
- Rios propõe uma redução gradual das tarifas de importação, atualmente em torno de 12%, para cerca de 6%, visando recuperar a produtividade estagnada.
- A economista ressalta que o Brasil não fez movimentos significativos de abertura comercial desde a década de 90, o que prejudica sua competitividade.
- Rios também menciona que o Brasil pode se beneficiar de tendências globais, como a economia verde e a digitalização, e defende reformas abrangentes para melhorar a competitividade do país.
Brasil deve evitar medidas protecionistas, alerta economista
A economista e diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), Sandra Rios, enfatiza que o Brasil não deve adotar medidas protecionistas em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Em entrevista, ela destacou que o país já possui um alto grau de proteção comercial, o que pode agravar a situação econômica.
Sandra Rios, que está preparando um livro com propostas para a internacionalização da economia brasileira, afirmou que “dar um tiro no pé” ao aumentar as tarifas de importação seria um erro estratégico. O governo americano, sob a liderança de Donald Trump, anunciou tarifas específicas para seus parceiros comerciais, o que pode impactar negativamente a economia brasileira.
A economista propõe uma redução gradual das tarifas de importação, atualmente em torno de 12%, para cerca de 6%. Essa mudança, segundo ela, é essencial para recuperar a produtividade estagnada do Brasil, especialmente nos setores industrial e de serviços. “A relação entre o grau de proteção e o desempenho da produtividade é clara,” afirmou.
Necessidade de Abertura Comercial
Rios ressalta que o Brasil não realizou movimentos significativos de abertura comercial desde a década de 90, quando ocorreu a liberalização do Collor e a formação do Mercosul. Desde então, o país tem se mantido em uma posição desfavorável, com tarifas elevadas e uso excessivo de medidas de defesa comercial, como o antidumping.
Ela argumenta que a proteção excessiva tem levado a uma indústria diversificada, mas pouco competitiva. “Precisamos aceitar alguma especialização e permitir a entrada de produtos e serviços estrangeiros,” defendeu. A proposta do livro é fomentar um debate sobre a necessidade de reformas que promovam a abertura da economia, visando um crescimento sustentável.
Oportunidades e Desafios
Além disso, Sandra Rios aponta que o Brasil pode se beneficiar de tendências globais, como a transição para uma economia verde e a digitalização. O país possui uma matriz energética limpa e pode aproveitar essas mudanças para se inserir de forma mais competitiva no mercado global.
A economista conclui que, para avançar, o Brasil deve implementar um conjunto de reformas abrangentes, incluindo a reforma tributária e melhorias no setor elétrico. “Essas reformas são necessárias para recuperar a competitividade e a produtividade do país,” finalizou.
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