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Crédito consignado do INSS despenca 67% com a nova biometria obrigatória

A exigência de biometria facial gera atrasos e impede acesso ao crédito consignado, afetando meio milhão de aposentados.

Superintendência Regional do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), localizada no viaduto Santa Ifigênia, no centro histórico de São Paulo (Foto: Rafaela Araújo/Folhapress)
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  • A contratação de crédito consignado do INSS caiu 67% entre abril e junho de 2025, após a exigência de biometria facial para liberação do empréstimo.
  • A medida foi implementada em maio, após recomendações do Tribunal de Contas da União para evitar fraudes.
  • Atualmente, cerca de 500 mil pedidos estão pendentes na Dataprev, que enfrenta dificuldades operacionais.
  • Aproximadamente um terço dos aposentados não possui biometria cadastrada no Tribunal Superior Eleitoral, tornando-os inelegíveis para novos empréstimos.
  • A Febraban e a ABBC estão buscando alternativas para facilitar o desbloqueio do crédito, incluindo o uso de credenciais do portal Gov.br.

A contratação de crédito consignado do INSS sofreu uma queda de 67% entre abril e junho deste ano, após a implementação da biometria facial como requisito para liberação do empréstimo. A medida, que entrou em vigor em maio, foi uma resposta a fraudes identificadas no sistema. Dados da ABBC (Associação Brasileira de Bancos) mostram que, em comparação a janeiro, a redução é ainda mais acentuada, atingindo 82%.

A exigência de biometria foi estabelecida após o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendar o bloqueio de novas contratações. Desde então, aposentados e pensionistas precisam desbloquear suas contas pelo aplicativo Meu INSS para acessar o crédito. Atualmente, há cerca de 500 mil pedidos pendentes na Dataprev, que enfrenta dificuldades operacionais para processar as solicitações.

Dificuldades Operacionais

A ABBC destaca que as limitações operacionais da Dataprev, combinadas com a dificuldade de muitos aposentados em realizar a biometria, têm impactado a contratação do crédito. O sistema de biometria da Dataprev utiliza dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que possui uma cota mensal de consultas. Quando essa cota é atingida, os desbloqueios ficam temporariamente indisponíveis.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informa que cerca de um terço dos aposentados não possui biometria cadastrada no TSE, tornando-os inelegíveis para novas contratações. Em julho, a cota de consultas do INSS foi esgotada, impossibilitando novos desbloqueios até agosto, mesmo para aqueles que já possuem dados biométricos.

Alternativas em Discussão

Para resolver a situação, a Febraban e a ABBC estão em diálogo com a Dataprev e o INSS para encontrar alternativas seguras para o desbloqueio. Uma proposta em discussão envolve o uso de credenciais de acesso aos bancos por meio do portal Gov.br, que já conta com a adesão de 16 instituições financeiras.

O aposentado João Francisco Neto, de 70 anos, é um dos afetados pela situação. Ele relata que, após não conseguir desbloquear o crédito consignado, teve que recorrer a um empréstimo convencional, com juros mais altos. A nova regra, que também bloqueia empréstimos feitos por representantes legais, foi implementada em resposta a decisões judiciais que visam proteger os beneficiários.

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