- O governo dos Estados Unidos demonstrou interesse em minerais críticos do Brasil, incluindo terras raras, em reunião com autoridades brasileiras.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil não permitirá interferência externa na exploração de minerais.
- O Brasil possui grandes reservas, entre elas a segunda maior reserva mundial de terras raras.
- A China domina o processamento e a produção de terras raras, respondendo por grande parte do abastecimento global, inclusive de ímãs.
- EUA e União Europeia buscam diversificar fornecimentos e reduzir dependência, com iniciativas como planos para cadeia de suprimentos “da mina ao ímã” e leis de matérias-primas críticas.
O governo dos Estados Unidos manifestou interesse em reservas de minerais críticos no Brasil, incluindo terras raras (ETR), durante reunião entre o encarregado de negócios da embaixada americana e representantes do setor de mineração brasileiro. A sinalização ocorreu na quinta-feira, 24, em meio a tensões comerciais entre os dois países.
Segundo participantes da reunião, as falas foram interpretadas como uma comunicação de interesse estratégico, não como condicionante de eventuais acordos de tarifas. O tema chega em meio a rumores de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, já mobilizando agendas diplomáticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que não permitirá interferência estrangeira na exploração de minerais e afirmou que o Brasil não aceitará pressões externas sobre o tema. O governo brasileiro reforçou a autonomia sobre a gestão de seus recursos naturais.
Brasil possui reservas relevantes de cobre, níquel, nióbio e lítio, além de ocupar a segunda maior reserva mundial de terras raras. Essas informações elevam o interesse internacional em áreas com potencial de exploração no país.
O que são terras raras
Terras raras são 17 elementos químicos vitais para tecnologia moderna, como smartphones, TVs de tela plana, câmeras e LEDs. O uso central ocorre na fabricação de ímãs permanentes de alta potência.
Esses ímãs permitem peças menores e mais leves, essenciais para veículos elétricos e turbinas eólicas. Defesas, aeronaves e submarinos também dependem de ETRs para aplicações fim de século XX e XXI.
A China domina a cadeia de processamento e produção, o que confere ao país grande influência sobre o fornecimento global. Leves são menos dependentes, enquanto os elementos médios e pesados apresentam maior dependência externa.
Monopólio chinês preocupa Ocidente
O processamento, grande parte feito na China, sustenta o domínio do país na produção de ímãs. Estados ocidentais têm buscado reduzir a dependência por meio de reservas estratégicas e cadeias domésticas.
A União Europeia aprovou, em 2024, a Lei de Matérias Primas Críticas, com metas de produção até 2030 e projetos estratégicos com aliados. Nos EUA, desde 2020, o Departamento de Defesa investe em cadeia de suprimentos nacional.
Analistas destacam que África, América do Norte e regiões árticas aparecem como potenciais fontes futuras, mas com desafios logísticos e de licenciamento. O futuro do abastecimento global de ETRs permanece incerto.
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