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Indígenas e afro-brasileiros promovem turismo ancestral na costa do Brasil

Tupã Mirim, da etnia Guarani-Mbya, se torna guia turístico e promove práticas sustentáveis em sua aldeia, fortalecendo a cultura local.

Um guia oferece uma visita a turistas em Paraty, no litoral sul de Rio de Janeiro. (Foto: Bernardo Gutiérrez)
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  • O turismo de base comunitária se destaca no Brasil, especialmente em Paraty e Ubatuba, com foco na preservação cultural.
  • Tupã Mirim, da etnia Guarani-Mbya, tornou-se guia turístico em sua aldeia, promovendo práticas sustentáveis.
  • Ele se capacitou pela Rede Nhandereko, que visa eliminar intermediários e aumentar a receita das comunidades.
  • A matriarca Ivanildes Kerexu critica o turismo de massa e acredita que a inclusão na rede pode ajudar na regularização fundiária da aldeia.
  • A Rede Nhandereko oferece cinco itinerários turísticos, incluindo a aldeia Boa Vista e o Quilombo da Fazenda, e destaca a importância de contar as próprias histórias.

O turismo de base comunitária tem se destacado no Brasil, especialmente em Paraty e Ubatuba, onde comunidades tradicionais buscam preservar suas culturas. Recentemente, Tupã Mirim, um jovem da etnia Guarani-Mbya, tornou-se guia turístico em sua aldeia, promovendo práticas sustentáveis e culturais.

Após anos trabalhando em empregos temporários, Tupã decidiu se capacitar em turismo de base comunitária pela Rede Nhandereko, que atua em Paraty e Ubatuba. Seu passeio turístico inclui observação de pássaros, atividades musicais e visitas a plantações agrícolas. Ele enfatiza a importância da conservação, afirmando que o rio Itamambuca é um “espírito-rio”.

A matriarca da aldeia, Ivanildes Kerexu, critica o turismo de massa, que, segundo ela, gera lixo e desrespeita a história local. A aldeia Rio Bonito ainda não possui título oficial, mas Ivanildes acredita que a inclusão na Rede Nhandereko pode facilitar a regularização fundiária.

Valdecir Mirim, cacique da Terra Indígena Boa Vista, expressa orgulho em ter sua aldeia como um dos itinerários turísticos da rede. Embora o número de turistas ainda seja baixo, a comunidade recebe muitas visitas de escolas. Valdecir destaca a necessidade de infraestrutura para atrair mais visitantes.

A Rede Nhandereko, criada em 2019, visa eliminar intermediários no turismo, permitindo que as comunidades mantenham uma maior parte da receita. Atualmente, a rede oferece cinco itinerários, incluindo a aldeia Boa Vista e o Quilombo da Fazenda. Daniele dos Santos, uma das fundadoras, ressalta a importância de contar suas próprias histórias.

O turismo de base comunitária, que surgiu nas últimas décadas, busca conciliar a permanência das comunidades em seus territórios com a conservação ambiental. Vagno Martins, um dos idealizadores da rede, afirma que essa abordagem permite o acesso a áreas protegidas, ao contrário do turismo convencional.

Tânia Ayres, matriarca da praia de São Gonçalo, destaca que o turismo local é gerido por moradores, promovendo a cultura e a identidade da comunidade. A experiência de turismo comunitário em Paraty e Ubatuba se destaca pela conexão emocional com o território, essencial para a proteção contra a exploração turística.

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