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Exportadores de uva e manga no Vale do São Francisco temem colapso com tarifa de Trump

Exportadores do Vale do São Francisco preveem perdas significativas após exclusão de manga e uva do tarifaço dos EUA, buscando novos mercados

Plantação de manga no Vale do São Francisco em uma áreas da empresa GrandValle. (Foto: GrandValle/Divulgação)
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  • Empresas do Vale do São Francisco, que respondem por mais de 90% das exportações brasileiras de manga e uva, enfrentam dificuldades após a exclusão dessas frutas da lista de exceções do tarifaço dos Estados Unidos.
  • A Cooperativa de Produtores Exportadores do Vale do São Francisco (Coopexvale) prevê uma queda de 30% no faturamento do setor de uva, revertendo o crescimento de 10% do ano anterior.
  • O preço da uva pode cair de R$ 10 para menos de R$ 7, e os produtores buscam alternativas no mercado interno e na Europa.
  • No segmento de manga, a expectativa de exportação de 48 mil toneladas para os EUA pode cair até 70%, resultando em um excedente que precisará ser absorvido pelo mercado interno.
  • Exportadores estão em busca de negociações com importadores americanos e consideram cortes de até um terço dos postos de trabalho no setor de embalagem.

As empresas do Vale do São Francisco, responsáveis por mais de 90% das exportações brasileiras de manga e uva, enfrentam um cenário desafiador após a exclusão dessas frutas da lista de exceções do tarifaço imposto pelo governo dos EUA. A medida, anunciada recentemente, pode resultar em perdas milionárias e obrigar os produtores a redirecionar suas operações para novos mercados.

A Cooperativa de Produtores Exportadores do Vale do São Francisco (Coopexvale) estima uma queda de 30% no faturamento do setor de uva, revertendo o crescimento de 10% registrado no ano anterior. O gerente comercial da cooperativa, Cristhian Diaz, alerta que a desvalorização dos preços pode ser significativa, com a uva passando de R$ 10 para menos de R$ 7. Para contornar os prejuízos, os produtores já buscam alternativas no mercado interno e na Europa.

No segmento de manga, a situação é igualmente preocupante. A expectativa inicial era exportar 48 mil toneladas para os EUA, mas essa quantidade pode cair até 70% se as tarifas forem mantidas. O diretor-geral da Valexport, Tássio Lustosa, destaca que o excedente de 35 mil toneladas precisará ser absorvido pelo mercado interno, o que pode provocar uma queda nos preços e comprometer a rentabilidade dos produtores.

Desafios e Estratégias

O impacto do tarifaço é sentido em toda a cadeia produtiva. Os pequenos produtores, que não possuem estrutura de comercialização, são os mais vulneráveis. Muitos podem não conseguir colher suas frutas, resultando em perdas significativas e até proliferação de pragas. A incerteza aumentou após o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, ter mencionado que produtos não cultivados em larga escala poderiam ser isentos, mas a manga ficou de fora.

Os exportadores do Vale do São Francisco estão em busca de articulações com importadores americanos e advogados para tentar reverter a situação. Luca Balallai, diretor de exportação da GrandValle, afirma que a empresa precisará reduzir o volume exportado para os EUA e redirecionar a produção. A empresa já considera um corte de até um terço dos postos de trabalho no setor de embalagem, que atualmente conta com 500 funcionários.

Enquanto aguardam novas negociações, os exportadores iniciam a safra com envios modestos, prevendo entre 6 e 15 contêineres para os próximos dias. A expectativa é que as discussões entre os governos possam trazer uma solução, já que a tarifa sobre a manga não representa uma ameaça ao mercado interno dos EUA.

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