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Alimentos dos EUA apodrecem em depósitos após desmonte da ajuda humanitária

Cortes na ajuda humanitária dos EUA resultam em desperdício de alimentos enquanto crises alimentares se agravam em várias regiões do mundo

Palestinos recebem sopa de lentilha em um ponto de distribuição de alimentos na Cidade de Gaza (Foto: Omar AL-QATTAA / AFP)
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  • Centenas de caixas de alimentos dos Estados Unidos foram marcadas para destruição após expirarem em depósitos na Geórgia.
  • Aproximadamente sete toneladas de alimentos da organização Mana Nutrition se tornaram inservíveis, enquanto regiões como Gaza e Sudão enfrentam crises alimentares.
  • Cerca de cinquenta milhões de dólares em suplementos alimentares permanecem armazenados em um depósito em Pooler, Geórgia.
  • A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) teve suas operações reduzidas em oitenta por cento sob a administração Trump, encerrando atividades em julho.
  • Mais de sessenta mil toneladas de suprimentos humanitários estão estocadas nos Estados Unidos e no exterior, com urgência para movimentação, enquanto a crise alimentar se agrava em campos de refugiados.

Centenas de caixas de alimentos dos Estados Unidos, destinadas a populações famintas, foram marcadas para destruição após expirarem em depósitos na Geórgia. A situação, revelada pelo jornal *The Washington Post*, destaca falhas logísticas na ajuda humanitária. Aproximadamente 7 toneladas de alimentos da organização Mana Nutrition tornaram-se inservíveis enquanto regiões como Gaza e Sudão enfrentam crises alimentares severas.

Cerca de US$ 50 milhões em suplementos alimentares permanecem armazenados em um depósito em Pooler, Geórgia. A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), que antes coordenava o envio de mais de US$ 1 bilhão em assistência, teve suas operações reduzidas em 80% sob a administração Trump, sendo oficialmente encerrada em julho. David Todd Harmon, diretor da Mana Nutrition, lamentou que, apesar de tudo estar pago, “ninguém vem buscar” os produtos.

Um memorando interno do Departamento de Estado revelou que mais de 60 mil toneladas de suprimentos humanitários estão estocadas nos EUA e no exterior, com urgência para movimentação. A logística emperrada e a falta de pessoal dificultam a operação. Ex-funcionários da Usaid relataram dificuldades para retomar os envios, agravadas pela ausência de profissionais experientes nos países de destino.

A destruição de alimentos gerou indignação entre parlamentares e ativistas. Jeanne Shaheen, senadora da Comissão de Relações Exteriores, criticou a situação, afirmando que os insumos foram comprados para salvar vidas, não para apodrecer. Em julho, uma remessa de 600 toneladas de biscoitos energéticos, originalmente destinada a Gaza, foi enviada a outros países, mas parte já havia vencido.

Em Rhode Island, a empresa Edesia Nutrition possui 185 mil caixas de suplementos nutricionais ainda não enviadas, totalizando US$ 75 milhões. Enquanto isso, a crise alimentar se agrava em campos de refugiados em Bangladesh, com a Unicef alertando que 15% das crianças já sofrem de desnutrição. A situação levanta preocupações sobre a capacidade do governo e das organizações humanitárias dos EUA em responder a futuras emergências globais.

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