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Montanha boliviana que enriqueceu Europa enfrenta colapso sem recursos para resgate

Medidas judiciais visam proteger o Cerro Rico, mas mineradores enfrentam incertezas sociais e estruturais em meio a deslizamentos e deterioração

Vista do cume do Cerro Rico da cidade de Potosí, Bolívia 2025 (Foto: Sara Wayra)
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  • O Cerro Rico de Potosí, na Bolívia, enfrenta risco de colapso devido à mineração excessiva ao longo dos séculos.
  • Uma decisão judicial determinou o fechamento de bocaminas acima de 4.400 metros para proteger a montanha.
  • Entre dez mil e doze mil mineradores ainda atuam nas partes mais baixas do Cerro, dependendo dos preços internacionais dos metais.
  • A situação do Cerro levou a Unesco a incluir Potosí na lista de patrimônio mundial em perigo desde 2009.
  • Propostas de soluções, como a construção de uma estrutura interna de metal e concreto, ainda não foram financiadas.

O Cerro Rico de Potosí, um ícone da história da mineração na Bolívia, enfrenta um colapso iminente após séculos de exploração excessiva. A montanha, que já foi uma das mais ricas em prata do mundo, está agora vazia e em deterioração, com sua estrutura comprometida.

Recentemente, um decisão judicial determinou o fechamento de bocaminas acima de 4.400 metros, uma medida que visa proteger a montanha. No entanto, a eficácia das soluções de preenchimento e a situação social dos mineradores permanecem incertas. Atualmente, entre 10.000 e 12.000 mineradores ainda trabalham nas partes mais baixas do Cerro, com a maioria dependendo dos preços internacionais dos metais.

Desde 2009, a situação do Cerro se agravou, levando a Potosí a ser incluída na lista de patrimônio mundial em perigo pela Unesco. A resposta inicial foi o preenchimento de buracos com materiais diversos, mas essa estratégia não impediu novos deslizamentos. O fechamento das bocaminas é um processo lento, com apenas 36 das 56 bocaminas acima da cota de 4.400 metros fechadas até o final de 2024.

Desafios Sociais e Políticos

A complexidade social da mineração em Potosí é evidente. As cooperativas mineradoras, que têm forte influência política, dificultam o fechamento imediato das bocaminas, temendo o desemprego dos trabalhadores. Santiago Cárdenas, engenheiro da Comibol, destaca que a transição deve ser gradual para evitar crises sociais.

Além disso, a Comibol tem investido em soluções de emergência, como o preenchimento de buracos, que já custou cerca de 3 milhões de dólares. No entanto, especialistas como Hernán Ríos Montero alertam que essa abordagem é ineficaz a longo prazo, pois a estrutura da montanha continua a se deteriorar.

Alternativas e Futuro

Uma proposta alternativa da Faculdade de Engenharia Minera sugere a construção de uma estrutura interna de metal e concreto para sustentar o Cerro. Este projeto, estimado em 3,5 milhões de dólares, ainda não recebeu financiamento. Enquanto isso, a situação continua a se agravar, com a montanha apresentando grandes cráteres e deslizamentos visíveis.

O futuro do Cerro Rico é incerto, e a preservação desse símbolo nacional se torna cada vez mais desafiadora. As próximas gerações podem julgar severamente a falta de ação diante da deterioração de um patrimônio que já foi vital para a economia global.

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