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Trump tenta manipular dados econômicos, seguindo exemplo de Kirchner

Demissão de chefe do Departamento de Estatísticas do Trabalho gera incertezas sobre a confiabilidade dos dados econômicos nos EUA

O presidente Donald Trump parte da Base Conjunta Andrews, Maryland, a caminho do Aeroporto Internacional de Lehigh Valley, em Allentown, Pensilvânia, para passar o fim de semana em seu campo de golfe em Bedminster, Nova Jersey, na sexta-feira, 1º de agosto de 2025. Economistas afirmam que dados imparciais são essenciais para a formulação de políticas e para a democracia. (Foto: Haiyun Jiang/The New York Times)
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  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu a chefe do Departamento de Estatísticas do Trabalho, Erika McEntarfer, na última sexta-feira, 1º de agosto.
  • Trump alegou que os dados de emprego estavam “manipulados” para prejudicá-lo politicamente, uma afirmação contestada por ex-comissários da agência.
  • A demissão gerou preocupações sobre a integridade das estatísticas econômicas, com especialistas alertando para possíveis crises de credibilidade, como as que ocorreram na Grécia e na Argentina.
  • A ex-secretária do Tesouro, Janet Yellen, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, criticaram a decisão, destacando a importância de dados confiáveis para a economia.
  • O substituto interino, William J. Wiatrowski, é respeitado, mas a demissão levanta incertezas sobre a influência política na coleta e análise de dados.

Quando o presidente Donald Trump demitiu a chefe do Departamento de Estatísticas do Trabalho, Erika McEntarfer, na última sexta-feira (1º), a medida levantou preocupações sobre a integridade das estatísticas econômicas nos Estados Unidos. Trump alegou que os dados de emprego estavam “manipulados” para prejudicá-lo politicamente, uma afirmação contestada por ex-comissários da agência.

A demissão de McEntarfer é um evento raro na história das estatísticas econômicas americanas. Especialistas alertam que a interferência política em dados governamentais pode levar a crises de credibilidade, como ocorreu em países como Grécia e Argentina. Na Grécia, a manipulação de dados de déficit resultou em uma crise de dívida que exigiu resgates internacionais. Na Argentina, a subestimação da inflação levou à desconfiança global e a um calote de suas obrigações internacionais.

O Bureau of Labor Statistics (BLS) é uma agência independente que fornece dados cruciais sobre emprego e inflação. A ex-secretária do Tesouro, Janet Yellen, criticou a demissão, afirmando que tal ação não é esperada de uma economia avançada. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, também enfatizou a importância de dados confiáveis para decisões econômicas.

Embora o substituto interino de McEntarfer, William J. Wiatrowski, seja um funcionário respeitado, a demissão gerou incertezas sobre o futuro das estatísticas. Especialistas questionam se a pressão política poderá afetar a coleta e análise de dados, levando a um cenário semelhante ao da Argentina, onde dados privados passaram a ser mais confiáveis que os oficiais.

A polarização política nos EUA tem corroído o apoio bipartidário ao sistema estatístico, aumentando a necessidade de investimentos e proteção das agências responsáveis pela coleta de dados. A falta de um consenso sobre a importância das estatísticas pode comprometer a qualidade das informações essenciais para a economia.

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