- Os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira, somando-se a uma taxa já existente de 26,5%, totalizando 76%.
- Essa alta tributação torna a carne brasileira inacessível para consumidores americanos e ameaça as exportações do Brasil.
- Especialistas afirmam que o Brasil pode perder sua competitividade, com países como Austrália, Argentina, Uruguai e Paraguai se tornando alternativas para os importadores dos EUA.
- Um relatório do Rabobank prevê uma queda de 50% na demanda por carne bovina brasileira nos EUA a partir de agosto, com exportações projetadas de apenas 250 mil toneladas até o final do ano.
- Frigoríficos brasileiros estão buscando novos mercados, como Arábia Saudita, Egito e Sudeste Asiático, devido à inviabilidade das vendas para os EUA.
A imposição de uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira nos Estados Unidos, somada a uma taxa já existente de 26,5%, eleva o imposto total para 76%, tornando o produto praticamente inacessível para o consumidor americano. Especialistas alertam que essa medida, anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pode comprometer as exportações brasileiras, que levaram anos para serem consolidadas.
Com a nova taxação, o Brasil, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, pode perder sua vantagem competitiva em preço e volume. O gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, César de Castro Alves, destaca que substituir o Brasil como fornecedor será inevitável, citando países como Austrália, Argentina, Uruguai e Paraguai como possíveis alternativas para os importadores americanos.
A Austrália, que já lidera os embarques de carne bovina para os EUA, é vista como a principal concorrente. Embora tenha um preço mais elevado, a capacidade de atender à demanda americana pode ser um diferencial. Segundo a analista sênior da StoneX, Larissa Alvarez, a carne brasileira, que é majoritariamente de dianteiro bovino, pode ser substituída, especialmente em produtos como hambúrgueres.
Um relatório do Rabobank projeta uma queda de 50% na demanda por carne bovina brasileira nos EUA a partir de agosto. Apesar de um aumento de 113% nas compras americanas no primeiro semestre, a expectativa é que o Brasil termine o ano com apenas 250 mil toneladas exportadas, um avanço modesto de 10% em relação a 2024. Frigoríficos já buscam redirecionar suas cargas para mercados como Arábia Saudita, Egito e Sudeste Asiático.
A nova tarifa torna a carne brasileira mais cara do que a australiana, que já apresenta preços recordes no mercado global. Com a carne congelada brasileira passando a custar US$ 8,7 mil a tonelada, e a resfriada chegando a US$ 13,3 mil, a competitividade do Brasil no mercado americano está em risco. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que os embarques para os EUA se tornaram “inviáveis”.
Se a tarifa se mantiver, o Brasil poderá perder o mercado americano a longo prazo, necessitando encontrar novos destinos para sua produção. A China, que já absorve uma parte significativa das exportações brasileiras, pode desempenhar um papel crucial nesse cenário, embora suas importações ainda sejam incertas.
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