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Falta de políticas públicas prejudica apoio a famílias extensas no Brasil

Ipea aponta que 7,3 milhões de crianças vivem com avós ou parentes, evidenciando a necessidade de políticas públicas urgentes para apoio familiar

A maioria (53,6%) das crianças e adolescentes vivendo com parentes ou pessoas próximas são pardas ou pretas e, em geral, seus contextos são marcados pela pobreza e por desigualdades sociais e raciais (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
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  • O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) informou que 7,3 milhões de crianças e adolescentes no Brasil vivem com avós ou parentes, representando 13,9% da população de zero a 17 anos.
  • Essa situação é mais comum em famílias em vulnerabilidade social, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde 53,6% das crianças são pardas ou pretas.
  • A pesquisadora sênior do Ipea, Enid Rocha Andrade da Silva, destacou a necessidade urgente de políticas públicas para apoiar essas famílias, que muitas vezes enfrentam dificuldades financeiras.
  • O município de Franca, em São Paulo, implementou o Benefício Temporário de Transferência de Renda em 2021, ajudando 66 famílias a evitar a institucionalização de crianças.
  • Franca também criou o Programa de Proteção Social Assistida em 2023, que reduziu em 65% os afastamentos familiares entre 2020 e 2024, servindo como modelo para outras cidades.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que 7,3 milhões de crianças e adolescentes no Brasil vivem com avós ou parentes, um número que representa 13,9% da população de zero a 17 anos. Essa situação é mais comum entre famílias em vulnerabilidade social, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde 53,6% das crianças são pardas ou pretas.

Historicamente, muitos jovens são criados por avós, mas até recentemente, dados precisos sobre essa realidade eram escassos. O estudo do Ipea, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2023 e no Censo 2022, trouxe à tona a dimensão dessa prática, que é especialmente prevalente entre famílias com renda per capita de até um salário mínimo.

Necessidade de Políticas Públicas

A pesquisadora sênior do Ipea, Enid Rocha Andrade da Silva, destacou a urgência de políticas públicas para apoiar essas famílias. Ela enfatizou que a solidariedade familiar está concentrada em contextos de pobreza, o que demanda um suporte financeiro e estrutural. Apesar da relevância desse arranjo familiar, muitos municípios ainda não oferecem programas adequados para ajudar avós e parentes que assumem a responsabilidade por crianças.

Um exemplo positivo é o município de Franca, em São Paulo, que implementou o Benefício Temporário de Transferência de Renda às Famílias de Origem em 2021. Este programa visa prevenir a institucionalização de crianças e adolescentes, oferecendo suporte financeiro a famílias que cuidam de jovens em situação de vulnerabilidade. Atualmente, 66 famílias são beneficiadas.

Iniciativas em Franca

Além do benefício financeiro, Franca criou o Programa de Proteção Social Assistida em 2023, que oferece acompanhamento a famílias em risco de afastamento do convívio familiar. Essas iniciativas resultaram em uma redução de 65% no número de afastamentos familiares entre 2020 e 2024, servindo de modelo para outras cidades.

O estudo do Ipea, ao trazer à luz essa realidade, pode ser um ponto de partida para o desenvolvimento de mais programas que garantam os direitos de crianças e adolescentes em situações vulneráveis. A necessidade de atenção a esses arranjos familiares é clara, e a implementação de políticas eficazes é essencial para enfrentar esse desafio social.

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