- O mercado de crédito privado no Brasil cresceu com a Selic elevada a 15%, tornando esses ativos mais atrativos em relação a outras opções de renda fixa.
- O número de gestoras focadas em títulos de renda fixa privados aumentou 173% nos últimos seis anos, totalizando 164 casas até abril de 2025, segundo a Anbima.
- Mudanças tributárias, como a implementação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e a possível perda da isenção do Imposto de Renda (IR), podem afetar a atratividade desses ativos.
- Apesar da insegurança jurídica em relação ao IOF, a demanda por FIDCs se mantém firme, com captações se estabilizando.
- O crédito privado representa apenas 18% da carteira dos fundos, mas especialistas destacam a importância de uma alocação diversificada e controle rigoroso da capacidade patrimonial para mitigar riscos.
O mercado de crédito privado no Brasil tem se destacado, especialmente com a Selic elevada a 15%, que torna esses ativos mais atrativos em comparação a outras opções de renda fixa. O número de gestoras focadas em títulos de renda fixa privados cresceu 173% nos últimos seis anos, totalizando 164 casas até abril de 2025, segundo a Anbima. Essa expansão reflete a busca por diversificação e prêmios superiores ao CDI.
Entretanto, mudanças tributárias podem impactar essa trajetória. A implementação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% sobre as cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e a possível perda da isenção do Imposto de Renda (IR) para diversos instrumentos de crédito privado levantam preocupações. Guilherme Barredo, consultor de investimentos, alerta que a retirada da isenção pode reduzir a atratividade desses ativos, exigindo reprecificação e spreads de crédito mais elevados.
Insegurança Jurídica e Resiliência do Mercado
A questão do IOF sobre FIDCs gerou um cenário de insegurança jurídica, com idas e vindas em decisões legislativas. Eduardo Barbosa, sócio fundador do Grupo Multiplica, destaca que, apesar da instabilidade, a demanda por FIDCs se manteve firme, e as captações estão se estabilizando. Pedro Rudge, da Anbima, observa que o ciclo de juros é um fator crucial para o futuro do crédito privado, especialmente com a expectativa de fim do aperto monetário.
Embora o Brasil ainda esteja atrás de economias como a dos Estados Unidos em termos de desintermediação bancária, o crédito privado representa apenas 18% da carteira dos fundos. Rudge enfatiza que o mercado está amadurecendo, com espaço para expansão e consolidação, especialmente com o avanço regulatório.
Riscos e Oportunidades
Os especialistas apontam que, apesar do crescimento, o crédito privado apresenta riscos, como o de crédito, liquidez e marcação a mercado. Barredo destaca que o risco de crédito é o mais relevante, evidenciado por casos recentes de recuperação judicial, como Americanas e Gol. Para mitigar esses riscos, é essencial que os investidores mantenham uma alocação diversificada e um controle rigoroso da capacidade patrimonial.
Barbosa recomenda disciplina na escolha de ativos, enfatizando que a qualidade e a estrutura de crédito são fundamentais. Apesar das incertezas, o crédito privado continua a ser uma parte importante das carteiras de investimento, exigindo atenção redobrada em um cenário de instabilidade.
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