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Mais paulistanos buscam deixar a cidade do que se mudar para o Estado rico

São Paulo registra saldo migratório negativo pela primeira vez em 32 anos, impulsionado por violência e trabalho remoto.

São Paulo vista a partir do edifício Alto das Nações Unidas, o maior da capital; pela 1ª vez desde 1991, o Estado viu mais gente sair do que chegar, de acordo com o IBGE. (Foto: Tiago Queiroz/Estadão)
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  • São Paulo registrou, entre 2017 e 2022, pela primeira vez em 32 anos, um saldo migratório negativo, com quase 90 mil pessoas a menos.
  • Aproximadamente 825 mil habitantes deixaram a capital, enquanto 736 mil se mudaram para lá, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  • Fatores como violência, trabalho remoto e novas oportunidades em outros estados, como Santa Catarina, contribuíram para essa migração.
  • O geógrafo Ednelson Dota, da Unicamp, afirma que as oportunidades de crescimento profissional em São Paulo diminuíram, levando as pessoas a buscarem melhores condições de vida em outros locais.
  • A pandemia acelerou a adoção do home office, permitindo que profissionais optassem por cidades menores e mais seguras, como exemplificado pelo jornalista Kevin Costner, que se mudou para Curitiba.

São Paulo enfrenta pela primeira vez em 32 anos um saldo migratório negativo, com mais pessoas deixando o estado do que chegando. Entre 2017 e 2022, cerca de 825 mil habitantes deixaram a capital paulista, enquanto apenas 736 mil novos moradores se estabeleceram, resultando em uma perda de quase 90 mil residentes. Este fenômeno, registrado pelo Censo do IBGE, é atribuído a diversos fatores, incluindo violência, a ascensão do trabalho remoto e novas oportunidades em outras regiões do Brasil.

Especialistas apontam que a economia é o principal motor dessa migração. O geógrafo Ednelson Dota, da Unicamp, destaca que as oportunidades de crescimento profissional em São Paulo não são mais as mesmas de décadas passadas. “Hoje, muitas pessoas circulam, mas não permanecem. Elas buscam melhores condições de vida em outros lugares”, explica Dota.

Além disso, o professor Gabriel Alves Souza, do Colégio Mackenzie Alphaville, observa que novos polos de trabalho estão surgindo em estados como Santa Catarina, que teve um saldo migratório positivo de 362 mil pessoas. Essa mudança reflete uma descentralização econômica, onde São Paulo já não é o único destino atrativo.

Fatores de Migração

A violência urbana também desempenha um papel significativo na decisão de deixar a capital. A preocupação com a segurança tem levado muitos a buscar locais com melhor qualidade de vida. Embora a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo tenha reportado uma queda nos índices de homicídios e outros crimes, a sensação de insegurança persiste entre os moradores.

A pandemia acelerou a adoção do home office, permitindo que profissionais trabalhassem de qualquer lugar. Isso, combinado com a busca por um estilo de vida mais tranquilo, tem incentivado a migração para cidades menores e mais seguras.

Um exemplo dessa mudança é o jornalista Kevin Costner, que deixou São Paulo após 24 anos para viver em Curitiba. Ele relata que, além de um aumento salarial, a nova rotina lhe proporciona mais qualidade de vida, com deslocamentos mais curtos e menos estresse.

A situação em São Paulo reflete uma transformação nas dinâmicas migratórias do Brasil, onde o estado, antes um ímã para migrantes, agora enfrenta desafios que levam seus habitantes a buscar novas oportunidades em outras partes do país.

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