- O Copom manteve a Selic em 15% ao ano, sinalizando continuidade de política contracionista e sem indicação de cortes para janeiro.
- A ata revisou a inflação esperada para 2025 em 4,4% e o horizonte relevante de política em 2027 em 3,2%, próximo da meta.
- O mercado reavalia o início de cortes, com possibilidade de março de 2026, mas a ata ainda não foi divulgada.
- Riscos fiscais e políticos voltaram a ganhar peso no cenário, elevando a cautela sobre pressões inflacionárias.
- Analistas veem o BC priorizando credibilidade e não abrindo espaço para flexibilização imediata, mantendo tom hawkish.
O Copom manteve a Selic em 15% ao ano ao fim do ano, decisão amplamente esperada. A comunicação seguiu tom hawkish e não indicou cortes para janeiro, mantendo a credibilidade da política monetária. O mercado esperava sinal de afrouxamento, o que não ocorreu.
A ata reforçou que o BC não considera seguro iniciar um ciclo de cortes, mesmo com melhoria das projeções de inflação. O banco preserva a vigilância sobre riscos, balanço inflacionário acima da meta e a necessidade de manter política contracionista.
A projeção de inflação para 2025 passou a 4,4%. O horizonte relevante para política caiu para o segundo trimestre de 2027, em 3,2%, próximo da meta. Mesmo com melhora, o BC sinaliza que pode subir juros se necessário.
Analistas apontam que o comunicado saiu mais duro que o esperado e reduziu a probabilidade de corte já em janeiro de 2026. A leitura está condicionada ao tom da ata, que será divulgada na próxima semana, segundo bancos.
Para o Bank of America, o Copom enviou sinal de cautela e não trouxe guidance para a próxima reunião. A instituição projeta início de cortes apenas em março de 2026, diante das informações disponíveis.
O Itaú Unibanco também vê comunicação firme, sem sinal de flexibilização antes de novas evidências de desaceleração e melhora de expectativas de inflação. Riscos fiscais e políticos voltaram a ganhar peso no cenário.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, destaca que o ambiente de inflação benigna não abriu espaço para cortes imediatos. O banco mantém aposta em um corte na primeira reunião de 2026, dependendo de evolução macro.
Riscos fiscais surgem como ponto de atenção: gastos públicos, eventuais isenções tributárias em 2026 e expansão do crédito direcionado podem manter pressão inflacionária. O BC busca consolidar credibilidade antes de flexibilizar.
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