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Do estigma ao bilhão: agro pode impulsionar regulação da cannabis no Brasil

Regulamentação do cultivo industrial deve avançar no primeiro semestre de 2026, abrindo espaço para expansão do agronegócio e aumento do retorno por hectare

Potencial de produção da planta no campo e seu uso na indústria tendem a mudar o foco da discussão e superar o preconceito com o uso recreativo para impulsionar a economia, disse a CEO da ExpoCannabis Brasil, Larissa Uchida, à Bloomberg Línea | Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil, maior evento do setor na América Latina: estimativa de crescimento dos negócios na cadeia para mais de R$ 1 bilhão (Diapason/Divulgação)
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  • O mercado legal de cannabis no Brasil já é bilionário, com atuação regulada para uso medicinal, fertilizantes e equipamentos de cultivo.
  • A regulamentação do cultivo industrial está prevista para avançar no primeiro semestre de 2026, estimulando o agronegócio e a exportação.
  • Estudos citados indicam retornos por hectare significativamente superiores aos de culturas tradicionais, como soja e milho, especialmente no cânhamo para fibras, sementes e flores de CBD medicinal.
  • A percepção pública ainda associa a planta ao uso recreativo, o que dificulta a leitura da cadeia econômica e o interesse de investidores.
  • Pesquisas e a ExpoCannabis Brasil destacam a evolução da cannabis de tema moral para indústria conectada a emprego, renda e sustentabilidade, com ganhos ambientais e de competitividade setorial.

Neste momento, o Brasil já opera um mercado formal de cannabis para uso medicinal, com produtos disponíveis em farmácias e regulamentação vigente. A discussão sobre cultivo industrial avança e pode ampliar a atuação do setor na economia.

Segundo Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil, o mercado regulamentado hoje já movimenta mais de 1 bilhão de reais, somando venda de fármacos, fertilizantes, equipamentos e insumos de cultivo. A regulamentação industrial pode expandir esse teto.

A expectativa é que a regulamentação do cultivo industrial seja discutida no primeiro semestre de 2026, abrindo espaço para o agronegócio. Estudos indicam rentabilidade elevada por hectare, com impactos potenciais em diversas cadeias produtivas.

A visão é distinta do modelo americano, onde uso medicinal e recreativo impulsionaram cedo a regulação. No Brasil, a narrativa tende a valorizar o lado agroindustrial e o cânhamo como ativo econômico estratégico.

A cadeia de produção pode incluir têxtil, alimentação, biocombustíveis e construção, com ganhos adicionais por meio de atributos ambientais. Segundo Uchida, o cânhamo consome menos água e pode favorecer recuperação de solos, além de créditos de carbono.

O mercado medicinal já regulamentado permite aquisição por prescrição, associações, importação autorizada pela Anvisa ou cultivo por liminares em casos específicos. O foco agora é ampliar o cultivo para fins industriais.

A ExpoCannabis Brasil, que realizou sua terceira edição em novembro, reuniu cerca de 45 mil visitantes e demonstra a disposição de transformar a cannabis em indústria. Expositores atuam em embalagens, extração, iluminação e cultivo em larga escala.

Para a executiva, o Brasil pode se tornar um dos maiores produtores de cânhamo, desde que o debate público acompanhe dados de mercado e aproximação institucional. A tendência é transformar o tema de tabu para tema de oportunidades econômicas.

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