- De acordo com a UBS, a dívida pública atingiu 78,6% do PIB em outubro e deve chegar a 83,8% em 2026; sem reformas estruturais, o endividamento pode passar de 100% do PIB após 2027.
- As eleições de 2026 definem quem irá tocar um programa de consolidação fiscal, com reformas como revisão da indexação do salário mínimo e ruptura entre despesas obrigatórias e arrecadação.
- O câmbio é visto como termômetro da credibilidade fiscal: um real mais fraco eleva importações, pressiona a inflação e força juros reais elevados, freando a economia.
- O rombo nas contas públicas é visto em volta de 8% do PIB, com dívida com juros variáveis dificultando a absorção de choques; é necessário um esforço primário próximo de 4% do PIB e reformas profundas.
- No cenário de investimentos, há expectativa de queda de juros nos Estados Unidos e Brasil no próximo ano, com o real mais forte e ações brasileiras apresentando potencial, mas tudo depende da credibilidade fiscal pós-eleições.
O Brasil enfrenta uma situação fiscal crescente e sem paliativos, com dívida pública alcançando 78,6% do PIB em outubro e projeções de 83,8% em 2026. Juros reais estão próximos de 10%, apontando para pressões sobre a confiança fiscal e a credibilidade da política econômica.
As perspectivas de 2026 dependem do novo governo. Pesquisas da UBS indicam que, sem reformas estruturais, o endividamento poderá ultrapassar 100% do PIB após 2027. A recuperação depende de sinalização clara de consolidação fiscal já no início do próximo mandato.
Quem vencer as eleições de 2026 terá a missão de aplicar medidas de ajuste e reformas para reverter a trajetória da dívida. Entre as alternativas citadas pelo UBS estão a revisão da indexação do salário mínimo e a desvinculação entre despesas obrigatórias e arrecadação.
Custo fiscal, câmbio e juros no foco
O câmbio é visto como termômetro da credibilidade fiscal. Um real mais fraco tende a ampliar importações, pressionar a inflação e exigir juros reais elevados, dificultando a estabilidade macroeconômica. O UBS estima que a taxa de juros real neutra ficaria próxima de 6% ao ano.
Os especialistas ressaltam que a dívida precisa de um ritmo de queda de primário próximo de 4% do PIB para estabilizar juros. Sem esse ajuste, o custo do serviço da dívida tende a aumentar e o ciclo de queda de juros pode ser curto.
Medidas estruturais consideradas fundamentais
Entre as ações apontadas estão a revisão da regra de indexação do salário mínimo, que hoje considera inflação mais ganho real atrelado ao crescimento de duas séries anteriores. Também é necessária a quebra da ligação automática entre educação, saúde e a arrecadação.
A taxa de envelhecimento da população amplia as despesas com previdência, aumentando a pressão sobre o orçamento. Segundo o UBS, reformas nesse campo são essenciais para reverter a trajetória da dívida no médio prazo.
Caminho do investimento e incertezas eleitorais
No âmbito dos investimentos, o UBS aponta dois tempos: no primeiro semestre de 2026, condições globais favorecem o fluxo de capitais; no segundo, a credibilidade fiscal é determinante para sustentar o otimismo. O dólar fraco e cortes de juros ajudam o ambiente.
Contudo, a incerteza cresce à medida que as eleições se aproximam. A credibilidade do plano de consolidação fiscal pós-eleições será decisiva para manter o investimento estável e evitar volatilidade cambial.
Implicações para o mercado e para o trabalhador
O desemprego ficou em 5,4% em outubro, índice baixo que pressiona a inflação e desafia o BC a calibrar a política monetária. A inflação de serviços permanece acima da meta, reforçando a necessidade de ajustar gastos públicos sem sacrificar crescimento.
Empresas com maior alavancagem podem sentir benefício com a queda prevista dos juros, elevando a atratividade de ações no Brasil. O real mais forte, combinado a um câmbio estável, favorece margens de lucro e fluxo de capitais.
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