- Bradesco continua o plano de reestruturação até 2028, com foco em digitalização, otimização de agências, segmento de alta renda e eficiência de custos; no terceiro trimestre o lucro líquido recorrente foi de R$ 6,2 bilhões, com ROE de 14,7%.
- Ações do Bradesco subiram mais de 60% em 2025, diante de valorização superior a Itaú, Santander e Nubank; BTG avançou mais de 90%.
- Resultado sinaliza recuperação operacional gradual, com maior rentabilidade, melhora da qualidade da carteira e receitas acima de despesas, indicando amadurecimento da reestruturação.
- O banco enfrenta desafio com juros altos, adotando crédito mais seletivo para pessoas físicas e concentrando-se no segmento de alta renda; inadimplência ficou em 4,1% no 3º trimestre, frente a 4,2% em igual período do ano anterior.
- Para o quarto trimestre de 2025, o mercado projeta lucro de R$ 6,4 bilhões, total de R$ 24,6 bilhões em 2025 (alta de 25%), ROE anual de 14,8%; analistas veem espaço para alta, mas destacam cautela em segmentos de menor renda.
O Bradesco manteve o ritmo de sua reestruturação em 2025, com foco na digitalização, na otimização de agências físicas e no segmento de alta renda. O objetivo é melhorar a eficiência de custos e a rentabilidade, conforme os resultados apresentados pelo banco.
No terceiro trimestre, o lucro líquido recorrente ficou em 6,2 bilhões de reais, avanço de 19% ante o mesmo período de 2024. O ROE alcançou 14,7%, com alta de 2,3 pontos percentuais na comparação anual. Analistas destacam a confirmação de ganhos com o processo de transformação.
A ação do Bradesco consolidou ganhos expressivos em 2025, superando rivais do setor. Até 26 de dezembro, o papel subia mais de 60% no ano, diante de avanços de cerca de 40% de Itaú, Santander e Nubank. O BTG seguia com alta superior a 90%.
Desempenho operacional e reestruturação
Balanços recentes indicam recuperação gradual da operação, com melhora da rentabilidade e da qualidade da carteira de crédito. O desempenho reforça o amadurecimento do plano iniciado em 2023, que visava reduzir déficits e acelerar a experiência do cliente.
A reestruturação, conduzida pelo CEO Marcelo Noronha, priorizou incentivos a performance e contratação externa. O objetivo é reverter a trajetória de deterioração de indicadores financeiros e sustentar resultados nos próximos anos.
Cenário macro e crédito
A alta da Selic pressionou spreads, já que o Bradesco tem grande exposição ao varejo de renda média e baixa. O banco tem adotado postura seletiva na concessão de crédito a pessoas físicas, destacando o segmento de alta renda como vetor de crescimento.
No terceiro trimestre, a carteira de crédito avançou 10% ao ano, impulsionada principalmente por linhas para pessoas jurídicas com incentivos fiscais, como o Pronampe. Inadimplência ficou em 4,1%, abaixo de 4,2% no ano anterior.
Competitividade e eficiência
Mesmo com ganhos, o Bradesco ainda fica atrás de Itaú em eficiência e rentabilidade. O Itaú mira reduzir o índice de custo sobre receita para cerca de 30% e elevar o ROE para entre 25% e 30%, estimativas que destacam o desafio de competitividade do Bradesco.
Analistas ressaltam que a eficiência do Bradesco era de 50,7% no terceiro trimestre, enquanto o Itaú já investiu pesado em tecnologia. Em termos de tecnologia, o Bradesco tem mostrado produção de software mais ágil desde a mudança na gestão.
Perspectivas para 2025 e 2026
O mercado projeta lucro líquido de 6,4 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025, crescimento de 19%, chegando a 24,6 bilhões no consolidado do ano, com ROE estimado em 14,8%. Analistas veem continuidade da recuperação de rentabilidade em 2026.
Mesmo diante da valorização recente das ações, o Bradesco é visto com espaço para alta, embora negocie a múltiplos inferiores à média histórica. O banco deve manter ajustes para elevar o ROE nos próximos trimestres, segundo casas de análise.
Considerações de cenário
O ambiente macro, com redução gradual das taxas, tende a sustentar margens do Bradesco e fortalecer sua carteira de crédito voltada ao consumo. Nomes do mercado recomendam cautela com segmentos de menor renda, mantendo foco em qualidade de ativos.
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