- Importações baratas da China podem reduzir a inflação do Reino Unido, conforme economistas, com diversificação devido às tarifas dos EUA.
- A China deve redirecionar mais comércio para fora dos EUA, incluindo o Reino Unido, diante das tarifas americanas.
- O superávit comercial da China ultrapassou US$ 1 trilhão no ano até novembro; exportações para EUA caíram 29%, para a UE e Reino Unido subiram.
- O Banco da Inglaterra aponta efeito desinflacionário pela diversificação comercial, com inflação de 3,2% e expectativa de chegar próximo de 2% até meados de 2026.
- Analistas estimam desaceleração da inflação de bens diversos em 2026, com preços de importação moderando conforme a economia global desacelera.
O Reino Unido deve receber um fluxo de importações baratas da China, o que pode conter a inflação em meio à guerra comercial global deflagrada pelo ex-presidente Donald Trump. O Banco da Inglaterra aponta o país como destino alternativo para bens como carros, telecomunicações e equipamentos de áudio, impulsionados pela queda parcial do custo de produtos chineses.
Economistas destacam que, com a balança comercial da China superando 1 trilhão de dólares no último ano, o país desloca parte de suas exportações para mercados que não os EUA. A diversificação ocorreria justamente para contornar as tarifas americanas, abrindo espaço para o Reino Unido absorver parte dessas mercadorias.
A ideia ganhou apoio de autoridades britânicas. A comissária externa do comitê de políticas do Bank of England afirmou que já há sinais de desvio de comércio que impactam a inflação do país, com preços de importação começando a ceder em função da valorização da libra e da mudança de destino das exportações chinesas.
Diversão de comércio e impactos no bolso
Dados oficiais de Pequim indicam que a China registrou superávit superior a 1 trilhão de dólares no ano até novembro, com exportações para meses subsequentes aumentando para a UE e para o Reino Unido, enquanto as entregas para os EUA caíram. O BoE informou que as exportações chinesas para a zona do euro e para o Reino Unido cresceram, em contraste com a baixa para os EUA.
O relatório de política monetária de novembro aponta que o efeito imediato das tarifas tem sido limitado sobre o crescimento global, com um impacto desinflacionário modesto no Reino Unido, impulsionado pela diversificação do comércio. A inflação ao consumidor, que está em 3,2%, tende a recuar rumo à meta de 2% até meados de 2026, com medidas do orçamento de outono prometendo reduzir a inflação em até 0,5 ponto percentual.
No cenário monetário recente, o Reino Unido revisou a taxa básica para 3,75% e sinalizou menores custos de empréstimo ao longo de 2026, diante de pressões inflacionárias mais brandas e queda prevista na atividade econômica. Analistas apontam que novas quedas adicionais são prováveis com a fraqueza global mantendo o mercado sob controle.
A China permanece como o principal fornecedor da Alemanha e figura entre os maiores fornecedores ao Reino Unido, com destaque para carros, telecomunicações e equipamentos de áudio. Ainda assim, especialistas avaliam que a maior disponibilidade de produtos chineses pode reduzir o índice de preços de importação no Reino Unido.
Perspectivas para 2026
Apesar da divergência de exportações, autoridades e economistas veem potencial de benefício para o consumidor britânico com preços mais baixos de itens chineses. O cenário estimula projeções de desaceleração da inflação de bens básicos e manutenção de inflação geral sob controle.
Analistas de instituições financeiras, como o Barclays, observam evidências limitadas de desvio de comércio até o momento, mas esperam moderação nos preços de importação em 2026 à medida que a demanda global desacelera. A previsão é de queda da inflação de itens ex-energia para patamares abaixo de 1% no núcleo de bens.
As discussões sobre medidas europeias frente ao aumento de importações baratas também são citadas como pressões externas. O governo britânico tem enfatizado proteção a produtores domésticos, como o aço, enquanto busca reduzir impactos inflacionários para consumidores.
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