- O Brasil reduziu o número de animais enviados ao abate, sinalizando início de aperto na oferta de gado após dois anos de crescimento e exportações.
- A menor oferta pode pressionar os preços globais da carne bovina para cima, afetando mercados como o dos Estados Unidos, que enfrentam custos elevados de alimentação.
- O país, com gado mais barato que os EUA, ampliou exportações para a China e outros compradores, mas espera-se queda de abate no próximo ano, estimada em 5,3%.
- Pecuaristas passam a reter fêmeas para recompor o rebanho, o que reduz a disponibilidade de carne e deve manter o ciclo de aperto nos próximos anos.
- Ainda assim, o Brasil deve continuar como maior exportador mundial, com previsão de cerca de 4,4 milhões de toneladas, à medida que outros grandes produtores também enfrentam recuperação de rebanhos.
Nos últimos dois anos, a produção brasileira de carne bovina aumentou, ajudando as exportações e pressionando os preços globais para baixo. O ciclo mudou e produtores reduziram o envio de animais ao abate, sinalizando aperto na oferta.
O recuo na oferta surge em meio a alta recente dos preços de bezerros no Brasil, que incentiva a retenção de fêmeas para recompor o rebanho. A consequência esperada é menos carne disponível para abate nos próximos meses.
Analistas apontam que o ajuste é uma reversão do ciclo de abundância que favoreceu as exportações sul-americanas. A redução no abate deve favorecer mercados internacionais já sensíveis à variação de oferta.
Mercado global e impactos previstos
As pressões de custo nos EUA mantêm a carne bovina cara por lá, enquanto o Brasil, com oferta mais competitiva, ampliou exportações para a China e outros compradores. A diferença de custos favorece frigoríficos brasileiros.
A expectativa é de que as taxas de abate no Brasil desacelerem, reduzindo a oferta disponível de carne bovina. A melhora reprodutiva pode mitigar parte da queda, mas ainda há previsão de menor abatimento no próximo ano.
A projeção é de queda de 5,3% no abate de bovinos no Brasil no próximo ano, após dois períodos de expansão. Mesmo assim, o país pode manter o posto de maior exportador mundial, com recorde em vendas externas.
Perspectivas por países e demanda global
A oferta de gado nos EUA deve permanecer restrita por mais um ano, com retenção de novilhas ainda limitada. A Austrália também sinaliza retenção, o que sustenta preços globais. A demanda internacional segue firme mesmo com variações regionais.
Especialistas destacam que o próximo ano será crucial para recuperação de rebanhos em grandes produtores. O Rabobank aponta que a produção brasileira pode recuar entre 5% e 6% em 2025.
Mesmo diante do aperto, o Brasil deve manter-se como principal exportador, estimando-se 4,4 milhões de toneladas em vendas externas. Remessas aos EUA podem subir no início de 2026, com tarifas reduzidas já vigentes.
Paulo Mustefaga, da Abrafrigo, afirma que a oferta restrita tende a sustentar preços no mercado internacional, diante da demanda global elevada por proteínas. Fonte: Bloomberg.
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