- Governo peruano avalia separar ativos da Petroperu, incluindo a refinaria Talara, em unidades de negócio distintas por meio da ProInversión.
- Decreto publicado perto da virada do ano não detalha como ficará a dívida da estatal e prevê transferência de 240 milhões de soles à Petroperu.
- Petroperu acumula déficits e pacotes de resgate que somam cerca de US$ cinco bilhões; a refinaria Talara enfrenta atrasos e custos acima do previsto.
- Jerí assumiu em outubro e não conseguiu estabilizar a liderança da empresa, com três presidentes do conselho em três meses.
- O plano é visto por críticos como privatização arriscada; há moção de censura contra a ministra das Finanças, Denisse Miralles, com possibilidade de destituição caso seja aprovada.
O governo do Peru avalia dividir os ativos da Petroperu, estatal petrolífera que tem enfrentado déficits e pacotes de resgate que somam cerca de US$ 5 bilhões. A proposta envolve a separação da refinaria de Talara, avaliada em US$ 6 bilhões, em unidades de negócios distintas por meio da ProInversión.
O anúncio foi feito pelo presidente José Jerí em um decreto publicado na véspera de Ano Novo, pouco antes da meia-noite. A medida não detalha como ficará o tratamento da dívida da Petroperu, estimada em aproximadamente US$ 5,45 bilhões pela S&P.
Jerí assumiu em outubro e encara dificuldades para estabilizar a liderança da empresa, que já teve três presidentes do conselho em três meses. O decreto autoriza a transferência de 240 milhões de soles para a Petroperu, sem esclarecer impactos sobre o caixa da estatal.
Desdobramentos políticos e legais
Críticos classificam a iniciativa como uma privatização arriscada e impulsionam uma moção de censura contra a ministra das Finanças, Denisse Miralles, conforme reportagem do jornal La República. A medida enfrenta oposição no Congresso e pode levar à destituição da ministra caso aprovada.
O projeto de lei sustenta que o decreto supera a análise legislativa necessária e aponta uso inadequado de recursos, como 384 milhões de soles para indenizações por demissões e gestão de ativos transferidos. Ainda assim, não há definição sobre o destino das novas unidades criadas.
A principal controvérsia envolve a Talara, cuja construção enfrentou atrasos, ampliação de custos e conclusão acima do orçamento. A Petroperu emitiu dívida externa para financiar a refinaria, que já opera desde 2023, com resultados insatisfatórios para as finanças públicas.
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