- Fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira ultrapassou R$ 12 bilhões em janeiro, atingindo parte relevante das ações mais líquidas.
- Investimentos privilegiaram blue chips, como Vale, Petrobras e bancos, contribuindo para valorização dessas ações.
- Analista teme distorção nos valuations diante do ingresso maciço de estrangeiros, com exemplos como Vale e Ambev.
- Contexto global aponta diversificação para mercados emergentes, potencializando movimentos via índices internacionais.
- Banco Central manteve a taxa em 15% ao ano; sinal de início de flexibilização em março e possível apoio a alta da bolsa caso o fluxo continue.
A bolsa brasileira registrou entrada de capital externo acima de 12 bilhões de reais em janeiro, segundo levantamentos da LAIC realizada pelo UBS BB. O aporte foi concentrado nas ações mais líquidos, como Vale, Petrobras e grandes bancos, elevando o interesse por ativos brasileiros.
O movimento reflete uma diversificação global para emergentes, com investimentos muitas vezes via índices como o EWZ. Entre os gestores, surge a percepção de que valuations podem mudar conforme o ingresso de estrangeiros aumenta.
Christian Keleti, CEO da Alpha Key, aponta que o fluxo robusto pode distorcer avaliações, especialmente em ações de alta liquidez. Ele citou a Vale como exemplo de possível reprecificação após ganhos recentes.
Keleti argumenta que a Vale poderia negociar a EV/EBITDA em níveis superiores, dada a expansão esperada no cobre nos próximos cinco anos. O múltiplo atual estaria em torno de 5 vezes, contra 4,5 vezes historicamente.
Caso semelhante é observado em empresas com menor crescimento, como Ambev, que estaria com valuations elevadas apesar de desaceleração de receita e volume. A situação levanta dúvidas sobre a diferenciação entre preço e fundamentação.
Fluxo externo e cenários de mercado
O câmbio global e a postura de bancos centrais aparecem como vetores de alta para a entrada de capitais em emergentes. A percepção de juros mais baixos nos EUA pode sustentar o fluxo para a região.
Na mesma linha, o recuo do dólar frente a outras moedas é visto como apoio para operações em reais. A expectativa é de que o Fed adote tom mais dovish com a possível mudança de comando.
O comitê de Política Monetária brasileiro manteve a taxa básica em 15% ao ano e sinalizou início de relaxamento em março, caso o cenário atual se mantenha. A decisão reforça o ambiente de juros altos por ora.
Keleti reforçou que o mercado pode ainda carecer de ativos investíveis, com apenas cerca de 200 ações consideradas aptas a compor carteira. O gestor alertou para riscos de superaquecimento sem liquidez suficiente.
Diante desse quadro, a Alpha Key recomenda cautela e monitoramento de hedge para reduzir impactos de volatilidade. A estratégia seria proteger ganhos caso o fluxo externo continue forte.
As avaliações de preço podem vir a sofrer ajustes caso o fluxo externo permaneça intenso e haja menor oferta de ativos investíveis no Brasil, segundo observações dos participantes da LAIC.
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