- Estudo Defining the Family Business, da Deloitte, ouviu 1.587 empresas familiares globalmente e 101 no Brasil, com receita média de US$ 2,8 bilhões.
- Globalmente, empresas familiares devem crescer 84% até 2030, chegando a US$ 29 trilhões, frente a 59% das não familiares.
- No mundo, esse tipo de empresa representa cerca de vinte e dois por cento de companhias com receita acima de US$ 100 milhões; no Brasil, 90% têm origem familiar e respondem por grande peso do emprego (75%) e do PIB (65%).
- Sucessão e governança aparecem como temas centrais, com planejamento cada vez mais comum e governança fortalecida para gerar valor.
- Aportes para crescimento incluem tecnologia e eficiência da cadeia de suprimentos; no Brasil, há maior foco em fortalecimento de marca, alianças estratégicas e parcerias, além de IPO ou entrada de fundos em planos de três a cinco anos.
Empresas familiares ganham força e previsões indicam avanço acima de grupos não familiares. O estudo Defining the Family Business, da Deloitte, aponta que esse tipo de organização deve crescer globalmente e quase dobrar a receita até 2030, em ritmo superior ao de outras empresas.
A pesquisa, publicada no Brasil pela Bloomberg Línea, entrevistou 1.587 empresas familiares no mundo, incluindo 101 no Brasil, entre março e junho de 2025. O estudo considera empresas com receita anual média de US$ 2,8 bilhões e contou com 30 executivos seniores de grupos familiares de destaque.
O relatório destaca que o crescimento decorre da maior compreensão de mercado, produtos e serviços diferenciados. Além disso, há foco em eficiência da cadeia de suprimentos, treinamento e desenvolvimento de executivos e equipes que atendem clientes.
Globalmente, empresas familiares representam cerca de 22% das companhias com receita anual acima de US$ 100 milhões. A Deloitte estima crescimento de 84% na década até 2030, chegando a US$ 29 trilhões, pressionando o ritmo das não familiares, projetado em 59%.
A projeção para a quantidade de empresas familiares é de alta de 22% nesse período. O consultor Paulo de Tarso, sócio-líder do Deloitte Private Program, descreve o cenário como promissor, destacando ganhos de eficiência e governança como temas centrais.
Riscos e governança
O estudo aponta incertezas econômicas e geopolíticas como o principal risco externo, citado por 68% das empresas globais e 59% no Brasil. O aumento tarifário é visto como impacto negativo para 70% das globais e 73% das brasileiras.
Entre os demais fatores de risco no Brasil estão ameaças cibernéticas (57%), custo de matérias-primas (56%) e o ritmo acelerado da tecnologia (56%). Tarso comenta que ganhos de eficiência começam antes da operação, com foco em melhorias internas.
Sucessão e geração de valor
No Brasil, 90% das empresas têm origem familiar e respondem por 75% dos empregos e 65% do PIB. A sucessão é um tema recorrente, com planejamento cada vez mais comum, segundo a Deloitte. O desafio é manter a motivação dos herdeiros e alinhar visões entre gerações.
O estudo ressalta que a governança corporativa fortalecida é crucial para geração de valor, com custo adicional reconhecido por várias organizações, mas visto como retorno possível. A harmonização entre gerações é parte essencial do processo.
Caminhos de crescimento e financiamento
Abertura de capital está no radar de 12% das empresas familiares globais e 14% das brasileiras. Nos próximos três a cinco anos, 26% das globais e 37% das brasileiras planejam atrair investidores externos ou fundos de private equity.
Para ampliar participação de gestão não familiar, 19% das globais e 14% das brasileiras consideram essa opção. A venda total do negócio é prevista por 3% das globais e 2% das brasileiras.
Adoção de tecnologia e parcerias
Investimento em tecnologia, incluindo IA, é visto como estratégia-chave por 40% das globais e 43% das brasileiras. A adoção de tecnologias voltadas à cadeia de suprimentos pode reduzir custos e financiar futuras expansões.
Diversificação de receita também aparece como estratégia, com 36% das globais apontando lançamento de novos produtos e serviços. No Brasil, há foco em fortalecimento de marca, posicionamento estratégico e alianças, com 52% recorrendo a parcerias ou joint ventures.
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