- Natal fraco e projeções tímidas para 2026 frustram a aposta na retomada do mercado de luxo; a LVMH teve queda de 3% nas vendas orgânicas no quarto trimestre da principal unidade de moda e artigos de couro.
- Três das cinco divisões não atingiram as estimativas; o CEO Bernard Arnault afirmou que 2026 provavelmente não será fácil e que o grupo reduzirá gastos.
- As ações chegaram a cair até 8,2% na abertura de pregão em Paris, marcando a maior queda intradiária desde abril; queda recente ao redor de 21% nos últimos 12 meses.
- Mesmo com desempenho fraco no geral, as vendas orgânicas cresceram 1% no trimestre; o lucro operacional recorrente anual caiu 9,3%, para € 17,8 bilhões.
- O segmento de relógios/joias teve desempenho melhor do que o esperado; a Loro Piana passou de 85% para 94% de participação após investimento de € 1 bilhão; Arnault afirmou que a participação da família deve ficar acima de 50% em 2026.
A LVMH apresentou um Natal fraco e sinalizou que 2026 não deverá trazer melhora significativa para o setor de luxo, frustrando expectativas de recuperação. A companhia fechou o quarto trimestre com queda de 3% nas vendas orgânicas da principal unidade de moda e artigos de couro, que abrange Louis Vuitton e Christian Dior.
Três das cinco divisões ficaram aquém das estimativas, em um período historicamente forte para o grupo. O CEO Bernard Arnault avisou que 2026 tende a ser desafiador e informou que a empresa reduzirá seus gastos neste ano. Em Paris, as ações chegaram a cair até 8,2% no começo da sessão, a maior queda intradiária desde abril.
A reação dos papéis impactou o mercado europeu, com queda de cerca de 21% em 12 meses até o fechamento de terça-feira. As projeções frustraram apostas de recuperação do segmento de luxo após a crise gerada pela pandemia.
Desempenho por segmento
- O varejo de moda e artigos de couro registrou frustração, com dificuldades decorrentes de custo de vida, tarifas e incertezas geopolíticas. O setor também enfrentou reação negativa a aumentos de preço.
- O segmento de relógios e joias teve desempenho melhor no último trimestre, ajudando a moderar a queda total das vendas.
Outros destaques
- O mercado viu a Richemont, dona da Cartier, como uma referência de resistência, com consumidores buscando itens de ouro como reserva de valor em momentos de incerteza.
- Ainda assim, a participação de LVMH no segmento de relógios e joias foi insuficiente para evitar o recuo nas vendas totais.
Resultados financeiros e marcas
- As vendas orgânicas cresceram 1% no quarto trimestre nos EUA e na região que engloba a China, acima das expectativas de analistas. Na Europa (-2%) e no Japão (-5%), o desempenho ficou abaixo do esperado.
- O lucro operacional recorrente anual ficou em € 17,8 bilhões, queda de 9,3% frente ao ano anterior, porém melhor do que o previsto pelos analistas.
Investimentos e perspectivas
- A divisão de vinhos e destilados sofreu pela terceira queda anual consecutiva na demanda, com o conhaque Hennessy impactando o desempenho.
- A LVMH ampliou sua participação na Loro Piana, de 85% para 94%, com investimento de € 1 bilhão no segundo semestre do ano passado.
- Arnault afirmou que a participação familiar na empresa deve superar 50% em 2026, sinalizando continuidade do controle estratégico da família.
Conclusão provisória
- Analistas destacam que a recuperação do setor permanece volátil e fortemente dependente de fatores externos, como inflação e câmbio. A LVMH segue sob escrutínio enquanto ajusta planos de gastos e estratégia de portfólio para 2026.
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