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BC inicia investigação interna sobre fiscalização e liquidação do Banco Master

Banco Central abre investigação interna sobre falhas de fiscalização que antecederam a liquidação do Banco Master, apuração sob sigilo na corregedoria

Sede do Banco Central, em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
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  • O Banco Central abriu uma investigação interna, em sigilo na corregedoria desde o fim do ano passado, para apurar falhas na fiscalização e no processo de liquidação do Banco Master.
  • A apuração foi determinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e busca esclarecer se houve erros técnicos ou institucionais antes da intervenção.
  • Saíram da área de fiscalização Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza; não há acusações formais contra eles até o momento.
  • O Banco Master cresceu rapidamente usando CDBs com rendimentos acima da média e foi liquidado em 18 de novembro de 2025; o BRB comprou carteiras de crédito durante a crise.
  • A Polícia Federal investiga suposta fraude em negociação de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões envolvendo o BRB; Master e BRB negam irregularidades e afirmam cooperação com as autoridades.

O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar falhas na fiscalização e no processo que levou à liquidação do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A apuração, determinada pelo presidente Gabriel Galípolo, tramita em sigilo na corregedoria desde o fim de 2025. A medida busca esclarecer se houve erros técnicos ou institucionais na atuação do BC.

A apuração surge após a repercussão do caso e busca entender o que falhou para evitar futuros problemas. Fontes internas dizem que o objetivo não é apontar culpados de imediato, e sim mapear falhas para melhorar procedimentos regulatórios.

Contexto da supervisão e mudanças no personnel

Duas mudanças relevantes na área de fiscalização ajudam a apuração: a saída de Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e de Paulo Sérgio Neves de Souza, servidor de carreira que autorizou a aquisição do Banco Máxima pelo Vorcaro. Ambos não estão sob acusação formal no momento.

Neves de Souza tinha histórico na supervisão do sistema financeiro e acompanhou a criação do Banco Master, após autorizar a compra que deu origem à instituição. Santana deixou o cargo em meio a rumores de reestruturação na diretoria de Fiscalização.

Documentos usados na defesa e atuação do BC

Documentos enviados pelo BC ao Ministério Público Federal indicaram que uma suposta operação de carteira de crédito foi desfeita no início de 2025. A defesa de Vorcaro utilizou trechos para sustentar ausência de irregularidades nas operações de crédito consignado do Master.

O BC afirmou que a alternância de nomes em cargos comissionados é prática comum na administração pública, sem caracterizar culpa automática de ex-integrantes. A instituição não detalhou as razões da troca nem apontou consequências administrativas.

Desempenho do Banco Master e desfecho regulatório

O Banco Master cresceu ao captar recursos com CDBs de rendimentos acima da média do mercado, oferecendo até 140% do CDI em certos momentos, superando concorrentes que pagavam menos. Em 2019 havia ativos de R$ 3,7 bilhões, e em 2024 alcançou cerca de R$ 82 bilhões.

O desgaste do modelo de captação levou a um monitoramento mais rígido pelo BC em 2024. Durante a crise, Vorcaro negociou a venda da instituição ao BRB, que apoiava a liquidez por meio da compra de carteiras de crédito.

Desfecho da intervenção e investigações associadas

Em 18 de novembro de 2025, o BC decretou a liquidação do Banco Master, afastou administradores e bloqueou bens para pagamento de credores. No mesmo dia, a Polícia Federal abriu operação para investigar suspeitas de fraudes em uma negociação de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões envolvendo o BRB.

Tanto o Banco Master quanto o BRB negam irregularidades e dizem ter substituído as carteiras questionadas, além de cooperar com as autoridades para esclarecer os fatos. As instituições não comentaram adicionalmente.

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