- Copom manteve a Selic em 15% ao ano, como esperado, mas sinalizou possibilidade de corte em março.
- Economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, mantém expectativa de queda de 0,50 ponto percentual na próxima reunião.
- O BC afirmou que o início dos cortes depende da convergência da inflação para a meta e não estabeleceu ritmo nem intensidade.
- Projeção do Inter é terminar o ano com a Selic em 12,5%, sob risco de eleição que pode ampliar gastos públicos.
- Análises destacam que o câmbio e a inflação ainda influenciam o cenário; o Fed manteve tom alinhado às expectativas, sem surpresas relevantes.
O Copom manteve a Selic em 15% ao ano, conforme esperado, mas sinalizou a possibilidade de cortes já na próxima reunião, em março. A decisão ocorreu ontem, no Brasil, e manteve a cautela como fio condutor, sem firmar o ritmo ou a intensidade dos ajustes.
Segundo o Comitê, o início do ciclo depende da consolidação do cenário desejado e da inflação no centro da meta. O comunicado reforçou o objetivo de trazer a inflação para o patamar pretendido, sem traçar trilha de cortes para além de março.
O mercado recebeu com surpresa a indicação de cortes, mas a reação manteve as projeções de alguns analistas para 2026. O banco Inter, representado pela economista-chefe Rafaela Vitória, mantém a expectativa de queda de 0,5 ponto percentual em março e Selic em 12,5% ao fim de 2026.
Vitória afirmou que existe espaço para movimentos maiores, desde que haja melhora adicional no cenário. Ela citou riscos fiscais no radar, especialmente com gastos eleitorais, e ressaltou a necessidade de observar impactos no crédito, câmbio e demanda.
A professora destacou que, embora o câmbio tenha ajudado até aqui, o risco fiscal pode limitar a velocidade dos cortes. Ela também destacou a distância entre as condições atuais e uma trajetória de cortes mais agressiva, dependendo de o cenário eleitoral favorecer ajustes nas contas públicas.
Sobre o quadro externo, a economista comentou que o ambiente internacional tem sido mais favorável, com o Fed mantendo tom contido e apenas dúvidas pontuais sobre novas reduções. No entanto, o foco permanece no equilíbrio entre inflação e atividades domésticas.
A projeção do Copom para a inflação encerra o ano em torno de 3,9%, com a taxa de juros marcando 3,2% de câmbio utilizado na leitura. A volatilidade cambial continua sendo um fator a ser monitorado na evolução dos juros.
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