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Filho de Lewandowski atua STJ para liberar consignados de financeira ligada ao Master

Filho de Lewandowski atuou no STJ em favor da Capital Consig, ligada a fraudes em consignados que atingem o Banco Master

Empresa defendida pelo filho de Ricardo Lewandowski tinha relações com o Banco Master
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  • O advogado Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ex-ministro Ricardo Lewandowski, atuou no STJ em dezembro de 2025 em favor da Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A.
  • A Capital Consig é alvo de investigações por fraudes em empréstimos consignados a servidores de Mato Grosso e é apontada como fornecedora de créditos que acabaram integrando carteiras do Banco Master.
  • Na época, Ricardo Lewandowski ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública; ele afirmou não ter conhecimento de recurso no STJ e disse ter se afastado da advocacia e suspenso o registro na OAB.
  • O Banco Master e autoridades investigam a relação entre as carteiras de consignados suspeitas e pagamentos de cerca de R$ 5 milhões a escritórios ligados à família Lewandowski; investigações apontam indícios de irregularidades em contratos de consignados.
  • O fluxo de créditos suspeitos passou pela Cartos e Tirreno, chegando ao BRB, com evidências de falta de documentação adequada e de lastro das operações; Cartos nega irregularidades e diz não ter relação com as investigações.

Filho do ex-ministro Lewandowski atuou no STJ para favorecer consignados de financeira ligada ao Master

O advogado Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, atuou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em dezembro de 2025 em favor da Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A. A empresa é investigada por fraudes em empréstimos consignados a servidores de Mato Grosso e é apontada como fornecedora de créditos que teriam integrado carteiras do Banco Master.

Na época, Ricardo Lewandowski ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no governo federal. Ele deixou o cargo em janeiro de 2026. A coincidência temporal é relevante no contexto das investigações que envolvem o Banco Master, que teria recebido pagamentos de escritórios ligados à família do ex-ministro e de empresas envolvidas na cadeia de crédito consignado.

Relatos publicados pela Gazeta do Povo indicam que o ex-ministro afirma não ter conhecimento sobre eventual recurso no STJ e que afastou-se da advocacia, suspendendo o registro na OAB conforme a legislação. A publicação também procurou a assessoria de Enrique Lewandowski, sem retorno até o fechamento desta matéria.

Trâmite e fase processual

Consta no sistema do STJ um pedido de tutela cautelar antecedente apresentado pela Capital Consig contra o Estado de Mato Grosso, questionando decisão que suspendeu cadastro da empresa para concessão de consignados a servidores. Enrique Lewandowski aparece como advogado formal da companhia no processo, que trata de medidas urgentes antes do ajuizamento da ação principal. O relator do caso, ministro Francisco Falcão, negou a liminar sem analisar o mérito, alegando falta de competência naquele estágio.

A suspensão das concessões ocorreu após denúncias de irregularidades nas operações de crédito. Entre os indícios, o Ministério Público e órgãos de controle apontaram que a Consig pode ter repassado valores menores aos previstos nas cédulas de crédito bancário (CCBs). Um relatório do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), divulgado em 2024, reforçou suspeitas de inconsistências em contratos analisados, com apenas parcela dos cadastros apresentados sem irregularidades.

Cadeia de operações e informações do BC

Segundo relatório do Banco Central encaminhado ao Ministério Público Federal em julho de 2025, consignados suspeitos passaram por uma cadeia envolvendo Capital Consig, Cartos Sociedade de Crédito Direto e Tirreno Consultoria, antes de chegar ao Banco Master. Em operações entre janeiro e junho de 2025, a Cartos teria repassado contratos ao Master, que vendeu parte dessas carteiras ao BRB entre 2024 e 2025, com valores expressivos e prêmios consideráveis.

O acordo operacional de 3 de janeiro de 2025 entre Cartos e Tirreno autorizou a Tirreno a acessar estruturas da Cartos, incluindo equipes de crédito e cadastros. O BRB informou ao BC que as operações com o Master, intermediadas pela Tirreno, envolveram cerca de 12,2 bilhões de reais em créditos entre janeiro e maio de 2025, com um prêmio estimado de 5,5 bilhões de reais. Ainda assim, a avaliação do BC apontou falhas de documentação e rastreabilidade, com sinais de que os créditos podem não ter lastro suficiente.

Reações e posicionamentos oficiais

A Gazeta do Povo entrevistou o Master, a Consig e a Tirreno, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O BRB afirmou estar revisando ativos originários do Master e afirmou manter compromisso com transparência. A Cartos afirmou não ter envolvimento com as investigações da Operação Compliance Zero e negou qualquer relação com o Master, destacando que as carteiras investigadas teriam origem exclusivamente na Tirreno.

A reportagem ressalta que as apurações continuam em andamento, com o BC, o Ministério Público e autoridades vinculadas à Polícia Federal e à Justiça investigando as cadeias de crédito consignado. O conjunto de informações ainda não apresentou conclusão sobre as responsabilidades específicas ou o papel de cada empresa na suposta irregularidade.

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