- Um juiz de Delaware autorizou que a ação de acionistas contra diretores da Coinbase por suposto uso de information privada siga adiante, rejeitando recomendação de arquivamento após investigação interna.
- Os diretores envolvidos, incluindo o investidor Marc Andreessen e o CEO Brian Armstrong, venderam juntos mais de US$ 2,9 bilhões em ações na listagem direta de abril de 2021.
- A ação sustenta que diretores teriam utilizado informações confidenciais para evitar perdas superiores a US$ 1 bilhão ao vender ações durante a abertura de capital sem restrições de lockup.
- A independência do comitê especial de litígios foi questionada por conflitos com Gokul Rajaram, ligado ao Andreessen Horowitz, o que levou o juiz a permitir o andamento do caso.
- A Coinbase disse estar desapontada com a decisão e continuará contestando as alegações, enquanto o comitê afirmou que não houve uso de informações confidenciais e que os executivos venderam apenas para fornecer liquidez necessária à listagem direta.
O tribunal de Delaware autorizou que a ação civil movida por acionistas contra diretores da Coinbase prossiga, mesmo após uma investigação interna de 10 meses. A defesa alegava que a comissão especial recomendou o arquivamento, sem sucesso.
A ação, apresentada em 2023 por Adam Grabski, acusa diretores de usar informações confidenciais de avaliação para evitar perdas acima de US$ 1 bilhão ao vender ações durante a listagem direta, em abril de 2021. O caso envolve figuras de alto perfil, como o CEO Brian Armstrong e o investidor Marc Andreessen.
Os réus também incluem a diretora de operações Emilie Choi e o cofundador Fred Ehrsam. Segundo a denúncia, eles participaram de vendas que somaram mais de US$ 2,9 bilhões, em operação de listagem direta que não previa lockups tradicionais.
Independência sob questionamento
A comissão especial era composta por Kelly Kramer, ex-CFO da Cisco, e Gokul Rajaram. Nenhum deles foi admitido como réu nem vendeu ações na listagem. Contudo, a juíza Kathaleen McCormick identificou vínculos relevantes entre Rajaram e a Andreessen Horowitz que podem afetar a independência.
Conforme documentos judiciais, houve histórico de pelo menos 50 rounds de financiamento envolvendo Rajaram ou a firma dele junto à Andreessen Horowitz desde 2019, incluindo uma parceria iniciada em 2007. A defesa argumenta que esses laços não configuram coordenação.
McCormick ressaltou que, embora haja boa-fé de Rajaram, os vínculos com o tema da investigação geram disputas materiais sobre sua independência. A defesa manteve que os relacionamentos são profissionais e não afetariam a avaliação do caso.
Estrutura da listagem e impactos
A denúncia destaca a natureza da listagem direta, que permitiu a venda imediata de ações sem períodos de lockup. Armstrong teria vendido cerca de US$ 291,8 milhões, e Andreessen Horowitz, US$ 118,7 milhões, entre outros executivos de alto escalão.
A Coinbase sustenta que as ações estavam fortemente correlacionadas aoBitcoin, o que, segundo a empresa, dificulta comprovar uso de informações confidenciais. A casa afirma que os diretores venderam para garantir liquidez para a operação de listagem.
O processo envolve ainda Emilie Choi, com venda de US$ 224 milhões, e Ehrsam, com US$ 219,5 milhões. A empresa afirmou que continuará a contestar as alegações no âmbito judicial.
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