- O Banco Master teve a operação encerrada pelo Banco Central em novembro, com apenas 4 milhões de reais em caixa, mesmo tendo ativos de 80 bilhões de reais.
- Investigações apontam modelo de crescimento baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com emissão de CDBs de rentabilidade superior à média para sustentar o fluxo de pagamento aos credores.
- Houve uso de triangulações por fundos, empresas de fachada e carteiras falsas, incluindo compras de créditos consignados que não eram efetivamente transferidos, para inflar ativos.
- Títulos de crédito ligados ao Besc teriam sido inflados por meio de fundos da Reag (agora CBSF) e de intermediários, com repasse de recursos entre fundos até que grupos não fossem mais sustentáveis.
- A PF e o BC apontam indícios de fraude em operações com a Tirreno Consultoria, venda de créditos ao BRB sem documentação, e possível engenharia contábil para viabilizar captações, com Vorcaro negando pagamentos à Tirreno.
O Banco Master, instituição com ativos estimados em 80 bilhões de reais, teve a liquidez questionada antes de ser encerrada pelo Banco Central em novembro passado. Em depoimento à Polícia Federal, o atual diretor de Fiscalização do BC disse que a liquidez real do grupo, na prática, era de apenas alguns milhões de reais, bastante aquém do necessário para um conglomerado desse porte. A denúncia envolve suposta fraude envolvendo títulos e ativos supervalorizados.
As investigações apontam que o modelo de negócios do Master girava em torno de certificados de depósito (CDBs) apoiados pelo Fundo Garantidor de Crédito. A autarquia afirma que a promessa de rentabilidade acima da média do mercado mascarava riscos elevados assumidos para sustentar o fluxo de captação de recursos de clientes. O banco alegou crise de liquidez, mas afirmou ter honrado compromissos antes da liquidação.
Ao longo de 2023 e 2024, o Master teria recorrido a triangulações entre fundos de investimento para manter a operação, segundo o BC. Recursos eram emprestados a empresas criadas apenas para movimentação de capital, que aplicavam em fundos de terceiros e, por fim, acabavam reinvestidos em ativos pouco líquidos ou sem lastro real, o que gerou inflacionamento de ativos.
As apurações indicam uso de empresas de fachada e de carteiras de crédito consignado para simular liquidez. Em operações de venda de créditos, o Master teriam adquirido direitos de recebíveis sem documentação comprobatória suficiente, com repasse a terceiros de forma atípica. A investigação aponta indícios de que houve tentativa de rolar vencimentos para manter a aparência de solvência.
Supostos créditos e operação com o BRB
A PF e o BC exibem indícios de que o Master comprou direitos creditórios de terceiros sem obrigação solidária, repassando-os a outras instituições. Entre as operações, destacam-se transações envolvendo a Tirreno Consultoria, com vínculos a um conjunto de sociedades de fachada. A tiragem de fundos e a troca de ativos teriam ocorrido sem a devida documentação, segundo as apurações.
Relatos indicam que o Master pagou a Tirreno, com intuito de obter cartas de crédito e ativos para quitar compromissos, mas a documentação necessária não foi apresentada. Em seguida, parte desses ativos teria sido vendida ao BRB, por valores superiores aos recebíveis efetivamente transferidos, conforme avaliação das autoridades.
A análise do BC aponta que as carteiras de crédito consignado não possuem correspondência real entre devedores e operações. Em checagem aleatória de CPFs de pensionistas, não houve confirmação das transações. O BC considerou as operações entre Master, Tirreno e BRB com indícios de insustentabilidade contábil.
O ex-presidente e fundador do Master, Daniel Vorcaro, sustenta à PF que não houve pagamento à Tirreno e que a operação foi interrompida antes de concluir. Ele informou ainda ter comunicado a Tirreno sobre a falta de documentação. A defesa afirma que os recursos não foram repassados à Tirreno.
A investigação também envolve o INSS, cuja área interna aponta ausência de comprovação de crédito consignado descontado na folha de pagamento de 251 mil pensionistas. A CPI do INSS no Senado deve apurar o caso para esclarecer a relação entre Master, tirreno e outros atores.
Paulo Henrique Costa, diretor afastado do BRB, apontou à PF que o banco público deve enfrentar um prejuízo estimado em 5 bilhões de reais relacionado a essas operações. O processo continua em apuração pelas autoridades competentes.
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