- Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, participou de 17 reuniões no Banco Central ao longo de 2025, com o presidente Gabriel Galípolo e diretores de áreas estratégicas, em busca de liquidez e na negociação de venda ao BRB.
- Ao todo, foram mais de trinta e quatro horas presenciais no BC, entre Brasília e São Paulo, para tratar de operações ligadas ao banco, conforme registros oficiais.
- Entre os encontros, cinco foram com Galípolo, incluindo 11 de abril, data em que o BRB concluiu auditoria interna e excluiu ativos de R$ 19 bilhões da negociação.
- Em 8 de maio, houve decisão do BC de dispensar temporariamente o recolhimento compulsório do Master; em julho, Vorcaro voltou a retornar ao BC por mais de oito horas.
- Em 17 de março, o BC notificou o Master sobre insuficiência documental de carteiras vendidas; dias depois houve negativa da operação com o BRB, e, no dia de uma reunião virtual em novembro, Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país, horas antes do BC decretar a liquidação do banco.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, participou de 17 reuniões no Banco Central ao longo de 2025, com o presidente Gabriel Galípolo e diretores de áreas-chave. Os encontros ocorreram durante tentativas de recuperar liquidez, negociar a venda ao BRB e momentos que antecederam a liquidação do banco. As informações vêm de registros oficiais obtidos por meio da LAI.
De acordo com o levantamento, Vorcaro esteve mais de 34 horas presencialmente nas dependências em Brasília e em São Paulo. Não foram consideradas reuniões por videoconferência. O intervalo das visitas é parte de um cenário de tensão entre a instituição e reguladores.
A Gazeta do Povo questionou o Banco Central sobre as reuniões; a defesa de Vorcaro não comentou o assunto. O BC informou ter atuado em várias frentes, com foco em salvaguardar o sistema financeiro.
Contexto e desdobramentos
Entre abril e julho, houve reuniões na sede da autoridade monetária, na Diretoria de Fiscalização e em comitês internos. Em 11 de abril, Vorcaro permaneceu por mais de três horas na sede, no dia em que o BRB encerrou auditoria interna e excluiu ativos de negociação.
Em maio, ocorreu novo encontro entre Galípolo e Vorcaro, quando o BC decidiu liberar temporariamente o recolhimento compulsório do Master. Registros indicam dias de presença superior ao previsto em duas ocasiões.
Durante o período, o Master recebia recursos do FGC para honrar dívidas, sob preocupação de exposição que pudesse afetar o BRB. Em 22 de julho, Vorcaro ficou mais de oito horas na instituição, em visita autorizada pela Diretoria de Fiscalização.
Repercussões legais e desfecho
Logo após, o BC autorizou a venda do Banco Voiter ao ex-sócio Augusto Lima, que assumiu passivos do Master e reduziu custos para o FGC. Lima foi preso posteriormente na Operação Compliance Zero.
Antes disso, em fevereiro, Vorcaro esteve três vezes no BC em meio a tentar melhorar a liquidez, com venda de carteiras de crédito ao BRB por suposto valor elevado. Em março, o BC notificou insuficiência documental das carteiras.
Em setembro, Vorcaro participou de novo encontro, seguido de uma reunião virtual em novembro. No mesmo dia, ele foi preso ao tentar deixar o país, sob argumento de viagem a Dubai para assinatura de contratos. Horas antes, o BC decretou a liquidação do Banco Master por supostas fraudes com o BRB.
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