- Estudo da Universidade de Exeter, em parceria com a Carbon Tracker, aponta que modelos econômicos baseados no PIB subestimam os riscos físicos da mudança climática.
- Segundo o relatório, danos climáticos são estruturais e cumulativos, com eventos extremos e incerteza crescente que afetam múltiplos setores simultaneamente.
- Os modelos atuais dependem de médias globais de temperatura e partem do pressuposto de choques pequenos, o que não reflete impactos em desigualdade, ecossistemas e organização social.
- Com o aquecimento chegando próximo de 2 °C, os impactos tornam-se mais imprevisíveis e exigem avaliação de riscos em amplo espectro.
- A pesquisa alerta que isso pode afetar o valor de fundos de pensão e incentivar a retirada de investimentos em combustíveis fósseis, para evitar danos maiores no futuro.
A falha dos modelos econômicos analisados por universidades e organizações independentes pode mascarar danos totais da crise climática, aponta um estudo desenvolvido na Inglaterra. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Exeter em parceria com a Carbon Tracker, conclui que muitos modelos baseados no PIB não capturam eventos climáticos extremos nem a incerteza crescente associada a um mundo em transformação.
Segundo o relatório, os impactos climáticos são estruturais e cumulativos, atingindo diversos setores simultaneamente, como comércio, finanças e migração. Se não considerados, eles podem comprometer o crescimento econômico de forma mais ampla do que o previsto.
A análise destaca que esses impactos não lineares devem remodelar economias inteiras com o tempo, especialmente quando a temperatura global avança para além de cenários moderados. A premissa de crescimento contínuo muitas vezes entra em choque com a realidade de danos acumulados.
O estudo sustenta que modelos econômicos que se apoiam no PIB podem subestimar danos ao não considerar desigualdade, ecossistemas e organização social. Com a temperatura global aumentando, os cenários se tornam mais imprevisíveis e os pontos de inflexão se intensificam.
A equipe de Exeter afirma que muitos modelos partem da ideia de que o futuro se comporta como o passado, apenas mais quente, o que não condiz com as mudanças em curso. Eventos extremos, como enchentes e ondas de calor, podem causar danos expressivos sem alterar a média global.
Além disso, a pesquisa aponta que a incerteza tende a crescer conforme o clima diverge de padrões históricos já conhecidos, tornando radares de risco menos calibrados. O alerta é pela necessidade de cautela na formulação de políticas públicas e na avaliação de riscos.
Impactos e implicações para políticas
O estudo recomenda uma abordagem de amplo espectro para avaliação de riscos climáticos, incluindo cenários que ultrapassem ciertos limites de temperatura. A ideia é evitar surpresas econômicas à medida que condições extremas se tornam mais recorrentes.
Mark Campanale, da Carbon Tracker, disse que a desinformação de risco pode afetar o desempenho de fundos de pensão e o valor de ativos. Em seu relato, mudanças aceleradas devem desorganizar a economia global, com potenciais impactos negativos para investidores.
Ele citou casos recentes, como denúncias de endereços com imóveis vulneráveis a enchentes no sul do País de Gales e enchentes repentinas no sul da Inglaterra, como evidências de danos econômicos que tendem a aumentar.
Profissionais do setor de seguros haviam indicado, em trabalhos anteriores, que um aumento de 3 °C na temperatura global poderia tornar grandes áreas do planeta difíceis de segurar, enfatizando a necessidade de ajustes no gerenciamento de riscos.
O relatório conjunto do Institute and Faculty of Actuaries com a Universidade de Exeter também já havia apontado que políticas públicas e instituições financeiras subestimaram riscos climáticos e seus impactos econômicos, reforçando a demanda por modelos mais abrangentes.
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