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Reversão de fluxo global é o maior risco para a economia brasileira em 2026

Reversão do fluxo global é o principal risco à economia brasileira em 2026, dependente de Fed, política externa e eleições que podem frear o impulso

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco: incertezas no ano impedem visão mais otimista sobre a economia
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  • Em janeiro, o Brasil recebeu fluxo externo de 6,2 bilhões de reais, o maior dos últimos cinco anos; na primeira semana de fevereiro, entraram 5,4 bilhões de reais.
  • Esse dinheiro sustenta a alta da bolsa e a valorização do real, ajudando a reduzir a inflação e abrindo espaço para cortes de juros.
  • O Bradesco aponta que, com cortes de juros possivelmente em março, o fluxo pode se intensificar, já que taxas mais baixas favorecem ativos de risco.
  • O maior risco para a economia de 2026 é a reversão do fluxo global, dependente da política monetária dos Estados Unidos e de fatores políticos no Brasil.
  • Projeções do banco indicam PIB em cerca de 1,5% neste ano, IPCA em torno de 3,8% e câmbio próximo de 5,18 reais, com possíveis quedas adicionais conforme o cenário externo.

O fluxo de investimentos estrangeiros voltou a acelerar no início deste ano, apontando para o maior volume já registrado nos últimos meses. Em janeiro, o Brasil captou 6,2 bilhões de reais, segundo dados citados pela Forbes Brasil, e a expectativa é de continuidade em fevereiro, com 5,4 bilhões de reais já aportados na primeira semana.

Esse movimento impulsiona a bolsa e atua na direção de ativos de maior risco, em um cenário de juros ainda elevados. O ganho de valor do real também contribuiria para conter a inflação e abrir espaço para redução de juros, ajudando o crescimento econômico.

Contexto do fluxo externo

Segundo o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, o grau de atratividade decorre de juros altos no Brasil, bolsa relativamente barata e expectativa de cortes na taxa Selic. Ele aponta que a queda dos juros é um catalisador para investimentos estrangeiros em ativos de risco, ao mesmo tempo em que a renda fixa continua atraente.

Implicações para o câmbio

Honorato afirma que não observa fortalecimento do dólar no curto prazo; há potencial de desvalorização da moeda norte-americana. A projeção é de o dólar encerrar o ano em torno de 5,35 reais, mas o desenho do fluxo pode manter o câmbio em patamar inferior entre setembro e outubro.

Dinâmica de ativos no Brasil

De acordo com o pesquisador, a valorização recente de ações, moedas e juros somou-se a fatores globais. Não há explicação local única para o desempenho, já que o Brasil vinha de uma bolsa subvalorizada e de juros elevados, o que atraiu recursos internacionais.

Fluxo entre emergentes

Honorato explica que o diferencial de juros pesa na atratividade, com um fluxo relativamente proporcional entre emergentes. A economia brasileira, diversificada, tem se beneficiado da combinação de juros altos e bolsas mais baratas, mesmo diante de fragilidades fiscais.

Perspectivas para 2026

A previsão do Bradesco aponta Selic em torno de 12% ao fim do ano, o que, segundo o economista, ainda sustenta o fluxo externo. A continuidade do movimento depende de fatores globais, como a postura do Fed e condições econômicas internacionais, além de eleições locais.

Riscos e eleições

Honorato ressalta que a volatilidade cambial em anos eleitorais não é necessariamente maior, mas fragilidades fiscais podem tornar o país mais vulnerável se o fluxo global se deslocar. O principal risco para a economia seria a interrupção desse fluxo externo.

Projeções macroeconômicas

O banco projeta expansão do PIB de aproximadamente 1,5% em 2026, com inflação sob controle, o IPCA próximo de 3,8%. Um câmbio mais estável pode favorecer a desinflação e permitir cortes adicionais de juros, contribuindo para o crescimento.

Mercado de trabalho

O desemprego permanece baixo e os salários têm acelerado, exigindo monitoramento da inflação de serviços. Mudanças estruturais, como reformas trabalhista e previdenciária, promovem flexibilidade, o que pode manter o desemprego baixo sem pressões inflacionárias fortes.

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