- Gruppo Zentrum, ligado à AfD, distribui panfletos na Mercedes-Benz de Untertuerkheim para as eleições do conselho de fábrica, buscando ampliar influência entre trabalhadores.
- O objetivo é desafiar os sindicatos tradicionais, que segundo o grupo não protegem o setor automotivo das demissões em massa.
- A AfD, classificada como extremista de direita, busca ampliar presença entre trabalhadores em meio à crise do setor, com mudanças para veículos elétricos e concorrência chinesa.
- Sindicatos e autoridades locais alertam para o risco de a AfD obter espaço político maior em empresas, o que poderia impactar a democracia interna das organizações.
- O Zentrum, com cerca de 150 membros no conselho de fábrica e 15 afiliadas, planeja apresentar dezenas de candidatos em várias fábricas, incluindo Mercedes, Volkswagen e Audi.
Na manhã escura de fevereiro, trabalhadores da Mercedes-Benz em Untertürkheim chegam para o turno inicial e recebem materiais de Zentrum, uma facção que se apresenta como sindicato ligado ao AfD, partido de direita extrema. A ação ocorre antes das eleições do conselho de fábrica.
O Zentrum pretende desafiar os sindicatos tradicionais, que segundo a sigla não conseguiram proteger o setor automotivo das demissões em massa. A iniciativa surge em meio a ajustes na indústria automotiva alemã, com a transição para veículos elétricos e competição chinesa.
Oliver Hilburger, fundador do Zentrum em 2009, afirmou estar estabelecido no polo de Stuttgart. Em entrevistas, representantes sindicais e políticos expressaram preocupação com a possibilidade de crescimento do movimento nas votações que ocorrem entre março e maio.
O contexto político e o papel dos conselhos
O AfD, classificado como extremista de direita, ganha visibilidade em meio ao processo eleitoral, enquanto as lideranças governamentais e representantes de sindicatos tentam conter o avanço. Autoridades e analistas destacam riscos à democracia caso candidatos ligados ao AfD obtenham espaço maior nas empresas.
Tradicionalmente, os conselhos de fábrica desempenham papel central no modelo corporativista alemão, oferecendo voz formal a cerca de 37% dos trabalhadores. Sindicatos como IG Metall alertam sobre candidatos de direita que podem ampliar a difusão de ideias no ambiente de trabalho.
Segundo observadores, o AfD tem apoio entre trabalhadores descontentes com as opções políticas estabelecidas. A legenda sustenta que os sindicatos representam uma agenda de esquerda que não atende às necessidades do funcionalismo, buscando ampliar o alcance em empresas-chave.
A atuação da Zentrum nas montadoras
O Zentrum atua como braço de mobilização em empresas, com um quadro de filiados e candidatos às eleições de conselhos. Em Untertürkheim, a formação planeja 207 candidaturas neste ano, superando o número de 2022. Em outros polos, como Zwickau e Ingolstadt, o movimento também registra candidaturas, ampliando sua atuação no setor.
Especialistas ressaltam que vitórias em estâncias como Mercedes, Volkswagen e Audi sinalizam capacidade de justar o tabuleiro político no setor. Ações da Zentrum são acompanhadas de perto por parte do movimento sindical tradicional, que busca contrabalançar o avanço da direita extrema.
Reações e perspectivas
Empresas do setor, como Mercedes, Volkswagen e Audi, recusaram comentar diretamente as eleições internas, mantendo posições públicas de defesa da tolerância e da diversidade. Observadores comparam o momento a um risco de fragmentação adicional dos movimentos trabalhistas em um contexto de crise industrial.
Analistas ressaltam que a ascensão de uma nova força nas estruturas de representação pode exigir respostas estratégicas dos sindicatos para manter a influência sobre o ritmo de mudanças no setor. A dinâmica entre organizações trabalhistas e o Zentrum permanece em avaliação.
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