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Investigação apura pressão para ex-presidente Amprev investir R$ 400 mi no Master

PF e Ministério Público investigam possível pressão externa e decisões aceleradas para investir 400 milhões da Amprev no Banco Master, com risco aos segurados

Sede da Amapá Previdência, que teve como presidente indicado de Alcolumbre (Foto: Wedson Castro/Assessoria de imprensa Amprev)
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  • Amapá Previdência investiu 400 milhões de reais no Banco Master, aprovados em três reuniões entre 12 e 30 de julho de 2024.
  • A investigação aponta possíveis pressões ou influência externa sobre o ex-presidente Jocildo Lemos para aprovar os aportes; áudio de reunião registra ele dizer que a decisão havia “tirado um peso das costas”.
  • Há questionamentos sobre a condução acelerada das votações e a validação de documentos de credenciamento, que teriam sido padronizados e copiados do banco.
  • Jocildo Lemos foi indicado ao cargo com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que afirmou não ter relação with os investimentos; Alcolumbre não é investigado.
  • A liquidação do Banco Master acendeu a apreensão sobre possíveis prejuízos aos recursos da Amprev, que já acionou medidas judiciais para ressarcimento e bloqueio de pagamentos.

O caso envolve a Amapá Previdência (Amprev) e aportes de 400 milhões de reais no Banco Master, apurados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público estadual. A investigação analisa se o ex-presidente da Amprev, Jocildo Lemos, foi pressionado, orientado ou induzido a aprovar os investimentos, e quem poderia ter atuado no esquema.

Lemos, aliado político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi indicado para chefiar o fundo de previdência de servidores do Amapá. O tema ganhou contornos quando o dinheiro foi aplicado em títulos de alto risco, mesmo após alertas de conselheiros e de órgãos públicos. A apuração é conduzida pela PF e pelo MP estadual.

A investigação busca responder a três perguntas centrais: houve influência externa na decisão de investir? o processo foi acelerado para evitar questionamentos técnicos? e o credenciamento do banco, bem como as diligências, foram suficientes para resguardar os recursos dos segurados?

Documentos de uma auditoria relativa ao Ministério da Previdência, compartilhada com a PF, apontam indícios de possível influência externa na condução das decisões. A aplicação envolveu letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro, sem cobertura do FGC, segundo apuração.

O caso ganhou dimensão após Lemos afirmar, em áudio registrado durante reunião de julho de 2024, que a decisão havia “tirado um peso das costas”. A fala, não constada na ata, é interpretada por auditores como indicativo de comprometimento ou influência externa no processo decisório.

A investigação analisa, ainda, se o dirigente agiu por convicção técnica ou sob pressão institucional. Lemos foi indicado ao cargo com apoio de Alcolumbre, que afirma não ter relação com os investimentos da Amprev.

O caso envolve aprovações em três reuniões entre julho e julho/agosto de 2024, totalizando 400 milhões de reais. O primeiro aporte de 200 milhões foi aprovado em 12 de julho; em 19 de julho, houve proposta de mais 100 milhões; e, em 30 de julho, mais 100 milhões foram autorizados. Em um momento, o saldo disponível da Amprev era de pouco mais de 300 milhões.

Registros apontam que, ao votar o segundo aporte, alguns conselheiros pediram cautela após parecer técnico da Caixa Econômica Federal classificar operações semelhantes como altamente arriscadas. A documentação apresentada pelo banco foi utilizada pela Amprev sem análise técnica independente, segundo apuração.

A PF investiga também a atuação de um conselheiro que liderou a defesa dos investimentos, mesmo sob investigação em outro fundo de previdência. Em 2025, o Tribunal de Justiça do Amapá determinou o afastamento do conselheiro do comitê de investimentos, pois tramava processo relacionado à gestão anterior; a Amprev não manteve o afastamento até a deflagração da operação policial.

A liquidação do Banco Master ampliou as preocupações com prejuízos a fundos de pensão, incluindo a Amprev, e envolveu outras instituições similares que administram recursos de aposentadorias de servidores estaduais. A Amprev informou que já adotou medidas judiciais para ressarcimento e que bloqueou pagamentos ao banco.

Em nota, Jocildo Lemos pediu exoneração do cargo, afirmando que a Justiça atuaria com independência e que todos os procedimentos teriam observado a legalidade. A Amprev reiterou que investiu 4,7% de sua carteira no Banco Master, com o patrimônio da instituição aumentado 41% entre 2023 e 2025, assegurando pagamentos a segurados até 2059.

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