- O Congresso destituiu o presidente Jose Jeri, poucos meses após seu mandato, em meio a um escândalo de corrupção.
- José Balcázar foi eleito presidente interino e ficará no cargo até a posse do próximo presidente em 28 de julho.
- O mercado reagiu de forma contida: os bonds soberanos permaneceram estáveis, com o título 2060 em torno de 56 centavos por dólar e o 2032 estável.
- Balcázar prometeu eleições “inequívocas” e evitar mudanças de política econômica, buscando tranquilizar investidores.
- A corrida presidencial é fragmentada, com muitos candidatos; Rafael López Aliaga lidera pesquisas, seguido de Keiko Fujimori, e ainda há grande parte de eleitores indecisos.
O Congresso do Peru destituiu o presidente José Jeri, o sétimo líder em menos de uma década, em meio a um escândalo de corrupção. A decisão ocorreu nesta semana, antes das eleições previstas para 12 de abril. O parlamento aprovou a destituição após denúncias relativas a reuniões com um empresário chinês, não divulgadas publicamente.
O Parlamento escolheu o deputado de esquerda Jose Balcazar como presidente interino, para atuar até a posse do próximo governante, marcada para 28 de julho. Balcazar assumiu o cargo após a sessão de terça-feira, em meio a críticas sobre a instabilidade institucional no país.
Peru permanece atrelado a sua economia baseada em commodities e à credibilidade de seu banco central, fatores que ajudam a minimizar choques de mercado diante da turbulência política. Mesmo diante do recuo presidencial, analistas veem o quadro fiscal e o ambiente de crédito como estáveis.
Mercado e perspectivas
As Bonds soberanas do Peru tiveram leve oscilarão na quinta-feira, com o título 2060 sendo negociado perto de 56 centavos por dólar, segundo analistas de dívida emergente. As notas em dólar de 2032 mantiveram-se estáveis, conforme dados da Refinitiv. O cenário institucional permanece considerado menos volátil que em outras nações da região.
Balcazar assumiu temporalmente e prometeu realizar eleições “inequívocas” no maior produtor mundial de cobre, evitando mudanças abruptas na política econômica. A sinalização de continuidade buscou tranquilizar investidores preocupados com a credibilidade institucional.
A percepção de investidores sobre a economia peruana continua favorável. O país é visto como um dos mercados de crédito mais seguros da região, com spreads relativamente estreitos frente aos Treasuries dos EUA, refletindo menor risco percebido.
A conjuntura de fluxo de investidores também é influenciada pela confiança no histórico de gestão macroeconômica e na política monetária estável, fatores que, segundo especialistas, ajudam a atenuar o impacto de episódios políticos.
A corrida eleitoral de 2026 deverá testar as instituições, com um cenário de ampla fragmentação. O novo quadro de candidatos inclui nomes de direita e centro; Rafael López Aliaga lidera as pesquisas, mas pode enfrentar dificuldade em eventual segundo turno sem apoio conservador mais amplo. Keiko Fujimori também figura entre as principais candidaturas.
A votação de abril concentra expectativa de legitimidade do processo; pesquisas indicam que parcela significativa do eleitorado permanece indecisa ou pretende anular o voto, o que complica a leitura sobre o resultado final. Analistas destacam que, se as eleições forem vistas como críveis, o mercado tende a manter o ritmo de avaliação de risco sem grandes oscilações.
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