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IPCA-15 de fevereiro sobe mais que o esperado, sinalizando pressão inflacionária

IPCA-15 sobe 0,84% em fevereiro, acima do esperado, com passagens aéreas puxando o avanço e pressionando juros antes da reunião do Copom

Em 12 meses, a alta do IPCA-15 desacelerou a 4,10%, de 4,50% no mês anterior
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  • IPCA-15 subiu 0,84% em fevereiro; a leitura em 12 meses ficou em 4,10%, ante 4,50% no mês anterior.
  • O resultado ficou acima das expectativas da Reuters (0,57%) e da projeção de 3,82% para o acumulado em 12 meses.
  • O grande impulso veio do setor de passagens aéreas, com alta de 11,6%; contribuíram ainda reajustes em seguros de veículos e mensalidades escolares.
  • Educação avançou 5,20% em fevereiro; Transportes subiu 1,72%; combustíveis, alimentação e bebidas tiveram variações menores, com cinema puxando pela deflação de aproximadamente 2,5% na semana.
  • Mercado reagiu com alta nas taxas de juros; Copom se reúne nos dias 17 e 18 de março, com a Selic em 15%.

Em fevereiro, o IPCA-15, a prévia da inflação oficial, acelerou 0,84% no mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço ficou acima do registrado em janeiro (0,20%) e também superou a previsão de analistas consultados pela Reuters, que esperavam alta de 0,57%.

Na variação em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou para 4,10%, ante 4,50% do mês anterior. Apesar da desaceleração anual, o resultado ficou abaixo do teto da meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual, com projeção de analistas de Focus para este ano em 3,91%.

O choque veio principalmente de passagens aéreas, que registraram alta de 11,6% em fevereiro. Reajustes em seguros de veículos e pressões em serviços, além de mensalidades escolares, também contribuíram para a elevação do índice mensal. Economistas destacam que o choque impactou a curva de juros e aumentou as expectativas de política monetária.

Contexto e impactos

Para o economista Alexandre Maluf, da XP, o resultado representou uma “grande surpresa” em relação aos 0,60% projetados. Ele aponta que a alta de passagens aéreas foi o principal motor, contrariando a expectativa de deflação entre 5% e 10% para o período.

A leitura negativa provocou reação imediata do mercado, com alta na curva de juros. O mercado aguarda a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcado para os dias 17 e 18 de março, com a Selic atualmente em 15%.

Contribuições setoriais

O grupo Educação subiu 5,20% em fevereiro, puxado pelos reajustes nas mensalidades escolares no início do ano letivo. Entre os itens, cursos regulares tiveram alta de 6,18%, com crescimentos nos preços do ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%).

Transportes subiu 1,72% após recuo anterior, e combustíveis agregaram 1,38%, com etanol (+2,51%), gasolina (+1,30%) e óleo diesel (+0,44%). Alimentação e bebidas avançaram 0,20%, abaixo da taxa de janeiro, com elevações em itens como tomate (10,09%) e carnes (0,76%), enquanto arroz (-2,47%), frango em pedaços (-1,55%) e frutas (-1,33%) tiveram queda.

Análise adicional

Cenários para o curto prazo acompanham sinais de cautela: parte da surpresa está associada a itens voláteis, mas há dúvidas sobre a difusão para serviços e a magnitude do núcleo. Economistas ressaltam a necessidade de monitorar o comportamento de preços de serviços e itens não voláteis para entender o ritmo inflacionário futuro.

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