- A IDC prevê queda de 12,9% nos envios globais de smartphones em 2026, com prioridade de memórias para IA.
- Os preços médios de venda devem subir cerca de 14% para compensar a redução de volume.
- Memórias, especialmente DRAM, estão sendo direcionadas a data centers e IA, reduzindo a oferta para dispositivos móveis.
- Apple e Samsung devem sentir menos o impacto pela escala e contratos, enquanto fabricantes menores enfrentam mais dificuldades.
- A recuperação é esperada em 2027 (alta de 2%) e 2028 (alta de 5,2%), condicionada à normalização da oferta de semicondutores; a McKinsey aponta que 70% dos centros de dados devem ser destinados a IA até 2030.
O mercado global de dispositivos móveis deve sentir a pressão de um aumento na demanda por memórias usadas em IA. A IDC publicou nesta quinta-feira, 26, que a produção de smartphones deverá sofrer queda de 12,9% em 2026, com envios menores para o varejo em todo o mundo. A batalha por componentes estratégicos explica a retração.
A tendência está ligada à readequação da cadeia de semicondutores. A produção de memórias DRAM está sendo direcionada para data centers que suportam IA generativa e modelos de aprendizado de máquina, reduzindo a disponibilidade para outros setores. Esse movimento impacta prazos de produção e lançamentos de celulares.
Apple e Samsung devem sentir menos os efeitos por escala, poder de barganha e contratos de fornecimento de longo prazo. fabricantes menores, com margens mais apertadas, enfrentam cenário mais adverso. A consultoria aponta maior dificuldade de competir por componentes entre vendedoras regionais.
Perspectivas de recuperação
A IDC estima recuperação gradual a partir de 2027, com expansão de 2% no próximo ano e 5,2% em 2028, conforme a oferta de semicondutores se normaliza. A redução de oferta, aliada ao ajuste de preços, deve influenciar o desempenho de categorias de entrada.
A McKinsey aponta que cerca de 70% dos centros de processamento de dados devem apoiar IA até 2030, fortalecendo demanda por GPUs e serviços correlatos. Como resultado, a disponibilidade de insumos para dispositivos móveis pode se manter restrita no curto prazo.
Especialistas ressaltam que celulares de entrada devem enfrentar maior pressão, com possíveis reajustes de preço ou redução de especificações para compensar custos. O mercado tende a se concentrar entre grandes fabricantes, com impactos para players regionais.
O panorama indica uma reconfiguração do setor nos próximos dois anos, mantendo a volatilidade de volumes e preços até que a oferta de semicondutores se normalize.
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