- Credores resistem à proposta de dividir a Raízen em duas unidades e pressionam por maior aporte de capital para a empresa manter operação integrada.
- O BTG Pactual propôs separar a atividade de distribuição de combustíveis dos outros ativos, com a unidade de postos recebendo capital novo do banco, mas a ideia não foi bem recebida pelos credores.
- A Shell sinalizou um aporte de cerca de R$ 3,5 bilhões, enquanto o mercado estima que serão necessários mais de R$ 20 bilhões para recapitalizar a Raízen.
- A Raízen registrou prejuízo líquido trimestral de R$ 15,6 bilhões e sinalizou relevante incerteza sobre a continuidade das operações.
- A dívida líquida da empresa chegou a R$ 55,3 bilhões em dezembro, impactada por investimentos elevados, clima instável e incêndios em canaviais, que reduziram o esmagamento.
A proposta para dividir a Raízen, produtora de açúcar, etanol e distribuidora de combustíveis, enfrenta forte resistência dos credores na rodada de discussões sobre revitalização e recapitalização da empresa. A ideia envolve separar o negócio de distribuição de combustíveis dos demais ativos.
Segundo fontes, o BTG Pactual, que administra participação no grupo controlador da Cosan, sugeriu desmembrar a Raízen em duas unidades, com a unidade de postos buscando capital novo junto ao banco. A proposta não recebeu apoio dos credores.
Os credores defendem manter a Raízen como um todo para favorecer uma recuperação mais rápida e pressionam acionistas a aportar o máximo de capital possível. A Raízen, Cosan, Shell e BTG Pactual não comentaram.
A Shell reiterou que trabalha para apoiar a desalavancagem da Raízen, em conjunto com Cosan. A decisão sobre o caminho a seguir permanece sob avaliação das partes envolvidas.
A pauta ganhou atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com representantes do BNDES e da Petrobras para tratar do tema no ano passado e novamente neste mês, segundo fontes. Em pauta, o papel estatal na eventual capitalização.
Acerca da participação pública, nem o BNDES nem a Petrobras demonstraram interesse em aportar recursos na Raízen. A Petrobras, impedida de investir em distribuição após a venda da Vibra Energia, não analisa ativos da Raízen no momento.
A Raízen acumula instabilidade financeira: a dívida líquida fechou dezembro em torno de R$ 55,3 bilhões, resultado de investimentos elevados, clima adverso e incêndios em canaviais, que reduziram volumes de esmagamento.
Enquanto o mercado estima necessidade de mais de R$ 20 bilhões em capital novo, a Shell já sinalizou possível aporte de cerca de R$ 3,5 bilhões para manutenção da operação, conforme reportado pela Reuters.
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