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Ex-auxiliares de Guedes desmontam narrativa da herança maldita

Ex-auxiliares de Guedes apresentam dados oficiais que contestam a narrativa da herança maldita, apontando aumento da dívida e fragilidade fiscal sob Lula

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes tem evitado entrevistas desde que deixou o governo
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  • Ex-ministro Paulo Guedes evita entrevistas desde que deixou o governo; ex-colaboradores também adotam a estratégia; um ex-auxiliar encaminhou, por WhatsApp, gráficos e dados oficiais para contestar a narrativa de Lula e Haddad.
  • Entre 2023 e 2025, a despesa primária do governo Lula cresceu 4,7% ao ano em termos reais, enquanto de 2019 a 2022 a variação foi de 2,8% ao ano.
  • A despesa primária relativa ao PIB teve trajetória mista: queda de 1,4 ponto percentual do PIB entre 2018 e 2022 e aumento de 0,8 ponto entre 2022 e 2025 (cada ponto do PIB ~ R$ 130 bilhões).
  • Em 2025, gasto com Previdência chegou a R$ 1 trilhão; em 2022 foi de R$ 926 bilhões, com relação ao PIB subindo 0,8% frente a queda de 0,5% no governo anterior.
  • Restos a pagar passaram de R$ 291,7 bilhões em 2022–2023 para R$ 391,5 bilhões em 2025–2026, aproximando-se de níveis vistos entre 2014 e 2015 durante o governo Dilma.

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes tem evitado entrevistas desde que deixou o governo. Ele não comentou as acusações de Lula e Haddad, e não concedeu entrevistas nos mais de três anos da saída.

Ex-colaboradores seguem a mesma linha, evitando polêmicas sobre a gestão atual. A tentativa de contraponto veio quando, por meio de uma mensagem de WhatsApp ao colunista, um ex-funcionário compilou gráficos e dados oficiais para contestar a narrativa petista.

A mensagem, enviada com preservação de identidade, traz análises sobre contas públicas sob a gestão de Guedes em comparação com o governo Lula 3 e períodos anteriores. Os dados são atualizados até dezembro de 2025, conforme o material encaminhado.

Dados em números

1. Gastos públicos: entre 2023 e 2025, despesa primária no governo Lula cresceu 4,7% ao ano em termos reais; 2019-2022 registrou 2,8% ao ano.

2. Despesa primária x PIB: 2018-2022 houve queda de 1,4 p.p. do PIB; 2022-2025 houve alta de 0,8 p.p.

3. Previdência: gasto em 2025 foi de R$ 1 trilhão; em 2022, R$ 926 bilhões (redução de 12%). Em relação ao PIB, alta de 0,8% sob Lula, frente a queda de 0,5% sob Bolsonaro.

4. Custeio da máquina pública: 2022 atingiu R$ 60,2 bilhões; Lula 3, R$ 72,7 bilhões, alta real de 20,9% em três anos.

5. Restos a pagar (RAP): em 2023, R$ 291,7 bilhões; pico de 2021 foi de R$ 303,4 bilhões; projeção 2025-2026, R$ 391,5 bilhões, 34% acima de 2022.

6. Rombo nas estatais: 2022 superávit de R$ 6,1 bilhões (excluindo Petrobras e Eletrobras); 2025, déficit de R$ 5,9 bilhões.

7. Dívida líquida: 2023-2025, endividamento público em 65,3% do PIB em 2025, alta de 9,2 p.p. e aumento nominal de R$ 2,7 trilhões.

8. Dívida bruta: fim de 2024/2025, 78,7% do PIB (R$ 10 trilhões), frente 71,7% no fim de Guedes. Outubro de 2020 chegou a 86,7%.

9. Taxa de juros: DBGG com 12,7% em 2025; gasto com juros acima de R$ 1 trilhão no ano, próximo a 2 milhões por minuto. 2022: 10,8%.

10. Resultado fiscal estrutural: 2022, superávit de 0,3% do PIB; 2025, déficit de 0,9%. Em comparação, Guedes teve melhora de 2,3 p.p. do PIB em relação a Temer; Haddad ficou 1,2 p.p. abaixo do herdeiro de Temer.

A apresentação busca mostrar que, para quem acompanha os números, a narrativa atual de “herança maldita” não resiste à análise das principais contas públicas. Mesmo assim, o cenário fiscal continua desafiador para a próxima gestão.

Com a rampa de acesso ao Palácio do Planalto em 2027, destaca o material, o país terá de enfrentar um nível de endividamento elevado, independentemente de quem governe. Os números, segundo o ex-colaborador, reforçam a necessidade de leitura cuidadosa dos dados fiscais.

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