- O dólar comercial avançou 2,08% frente ao real, e o Ibovespa caiu 3,28% em pregão de forte estresse e volatilidade, com queda disseminada.
- O Brent subiu quase 9%, para cerca de US$ 84,50 o barril, ante o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, que concentra cerca de 20% da produção mundial.
- A alta do petróleo reacende o temor de choque inflacionário global, pressionando preços e potencialmente levando bancos centrais a manter juros restritos por mais tempo.
- Probabilidades de manter os juros dos EUA entre 3,50% e 3,75% na reunião deste mês ficaram em torno de 97%, com alta também para a reunião de abril (cerca de 87%).
- Analistas destacam que o efeito depende da duração do choque e do petróleo; no Brasil, juros podem subir ou permanecer elevados no curto prazo se houver desvalorização cambial persistente e pressão inflacionária.
Na bolsa brasileira, o pregão de terça-feira (3) foi marcado por forte estresse, em linha com a deterioração do ambiente externo. O dólar encerrou em alta de 2,08% frente ao real, após subir quase 3% no intraday, diante da saída de recursos de mercados emergentes e da busca por proteção.
O principal driver foi a escalada do conflito no Oriente Médio, que fez o Brent reagir com alta de quase 9%, acima de US$ 84 o barril. Analistas destacam o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, passagem de cerca de 20% da produção global de petróleo e gás, o que pode comprometer a oferta.
A piora no humor global elevou a aversão ao risco e pressionou bolsas, com o Ibovespa caindo 3,28% e registrando uma queda de até 4,64% no pior momento. O dólar forte e a volatilidade pesaram sobre ativos brasileiros, especialmente setores mais sensíveis ao ciclo externo.
Cenário monetário e projeções
Especialistas avaliam que o petróleo elevado pode reacender as pressões inflacionárias globais, impactando índices de preços e custos de transporte, insumos e serviços. Se o cenário for prolongado, bancos centrais, como FED e BCE, podem adiar ou reduzir o ritmo de cortes de juros.
A ferramenta FedWatch aponta probabilidade elevada de manutenção dos juros nos EUA entre 3,50% e 3,75% na reunião deste mês (97%), com alta para 87% na de abril. No Brasil, o debate é se a alta de custos energéticos pode atrasar o ciclo de cortes da Selic.
Visões de gestão e inflação no Brasil
Analistas destacam que o movimento é fortemente influenciado por fatores externos. Um cessar-fogo pode provocar correção no Brent e reduzir a pressão sobre inflação global, diminuindo o impulso para ajuste monetário externo ao curto prazo.
Para investidores, a incerteza externa tende a elevar a volatilidade e a necessidade de proteção cambial. Em território doméstico, o recuo de ações atingiu bancos, varejo e consumo interno, refletindo o avanço da aversão ao risco.
Cenário para o petróleo e impacto local
Especialistas divergem sobre a duração do choque. Enquanto alguns veem o risco de efeito pontual, outros destacam que a persistência dos preços pode manter pressões inflacionárias e exigir cautela na condução da política monetária brasileira.
Entre os profissionais, há consenso de que o ritmo de cortes da Selic pode ser afetado, dependendo da evolução do câmbio e da percepção de risco global. Acompanhar o desempenho do petróleo passa a ser parte central da leitura de cenário.
Conclusões provisórias
Economistas enfatizam que o desequilíbrio externo domina o momento, com reflexos traduzidos em câmbio, bolsas e juros. A previsibilidade depende de como evoluirá a tensão geopolítica e a trajetória do preço do petróleo nos próximos dias.
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