- No terceiro dia dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, as tarifas de fretamento de navios-tanque subiram, com valores anunciados entre US$ 110 mil e US$ 160 mil por dia para alguns barcos.
- O magnata Nikolas Tsakos afirmou à Forbes que o mercado está “muito positivo” e que a empresa dele se beneficia com a demanda, mesmo sem desejar que a crise ocorra.
- A alta nas tarifas e a valorização das ações das operadoras de petróleo ocorreram também devido a interrupções nas rotas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, pela mobilização regional e por bloqueios iranianos.
- As fortunas dos proprietários de navios-tanque aumentaram, com o total de riqueza dos 13 maiores financiadores do setor acima de US$ 130 bilhões, impulsionado pela valorização das ações e das frotas.
- Além disso, a campanha norte-americana contra a frota sombra favoreceu transportadoras que operam dentro de sanções, abrindo espaço para navios legítimos ganharem participação de mercado no setor.
No terceiro dia de ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, o magnata grego do transporte de petróleo Nikolas Tsakos recebeu várias ligações de sua equipe em Londres. Eles buscavam garantir seguros para navios-tanque próximos ao Golfo Pérsico, enquanto os prêmios subiam por retaliação iraniana a instalações energéticas.
Tsakos afirmou à Forbes que há três navios da empresa em alerta e que o mercado está firme para fretamento. A Tsakos Energy Navigation (TEN) opera navios-tanque desde 1993 e abriu capital na NYSE em 2002, hoje controlada por ele e pelo pai Panagiotis, veterano do setor.
A crise energética impulsionou ganhos de rentabilidade. Em janeiro, tarifas de fretamento da TEN em operações na Venezuela chegaram a US$ 110 mil por dia, contra US$ 70 mil antes. Com os ataques ao Irã, a taxa pode chegar a US$ 160 mil diários para alguns carregadores.
Contexto geopolítico
O ataque presidencial de 3 de janeiro que prendeu Nicolás Maduro retomou exportações venezuelanas e elevou a atividade de transportadoras globais. O aumento de tarifas ocorre frente a interrupções de rotas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial.
As ações das empresas de navios-tanque reagiram: a TEN subiu cerca de 69% desde o início do ano. A Frontline, maior envolvida no setor após a TEN, apresentou alta de 93% nos últimos 60 dias, segundo dados do mercado.
Movimentação de frota e valores
A vigência da frota cinza, composta por navios de registro opaco, impulsiona o setor. A repressão norte-americana a aproximadamente 10 petroleiros da frota cinza, desde dezembro, abriu espaço para operações legítimas. Além disso, grandes players como a Sinokor investem pesado em VLCCs, com negociações acima de US$ 100 milhões por unidade.
Analistas destacam que a demanda por VLCCs vem crescendo desde dezembro, apoiando preços elevados e reforçando o aproveitamento de navios fretados por companhias com operações dentro de sanções. A expectativa é de continuidade de ganhos, caso o fluxo de petróleo encontre novas rotas.
Perspectivas para o setor
Mesmo com a incerteza geopolítica, o mercado de transporte de petróleo tende a lucrar com preços mais altos de petróleo no curto prazo. Caso o Irã sofra mudanças políticas, o petróleo poderá chegar a grandes compradores com maior regularidade, ampliando a demanda por navios-tanque.
Para analistas, o efeito líquido depende da duração dos conflitos e da extensão das sanções. Enquanto isso, companhias como a TEN, com contratos com a Chevron na Venezuela, devem continuar a se beneficiar da normalização de operações em regiões anteriormente restringidas.
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