- Perto do Dia dos Namorados, Brad Reese experimentou o Reese’s Unwrapped Peanut Butter Creme Mini Hearts, que traz menos de 2% de cacau e cobertura com açúcar e óleo vegetal.
- A análise também aponta que outros produtos da Hershey, como Take 5, Mr Goodbar e Heath, não utilizam chocolate ao leite tradicional em suas formulações.
- O mercado de cacau está volátil desde a crise climática de 2020, com impactos em preços e nas reformulações de produtos para manter margens.
- Reese publicou uma carta aberta a Todd Scott, gerente de marca e editorial da Hershey, questionando como a empresa sustenta a confiança na marca diante das mudanças de ingredientes.
- Especialistas citados destacam que regulamentos variam por região e que fabricantes substituem cacau por outros componentes, enquanto consumidores passam a ler rótulos com mais atenção.
Brad Reese, entusiasta de Reese’s e neto de HB Reese, testou um novo produto de Páscoa e encontrou chocolate com menos de 2% de cacau. O resultado foi decepcionante: a bala tinha cobertura de sabor chocolate, mas era predominantemente doce e oleosa, sem o sabor característico do cacau.
Ao analisar o rótulo, Reese percebeu a ausência de chocolate ao leite tradicional, indicando que a lista de ingredientes traz um revestimento com alto teor de açúcar e óleo vegetal. Em lojas próximas, verificou que outros anunciados da Hershey também usam menos cacau.
O caso ganha destaque por expor uma mudança na formulação de produtos de marca. Reese escreveu em sua rede social uma comunicação aberta às direções da Hershey, questionando como a empresa mantém a imagem de Reese’s diante de substituições de ingredientes.
A Hershey não respondeu a pedido de comentário, mas divulgou notas sobre a defesa da integridade dos seus produtos, ao mesmo tempo em que reconheceu experimentos em formatos diferentes. As informações oficiais reforçam que o núcleo de Reese’s continua com chocolate ao leite e manteiga de amendoim.
Especialistas ouvidos pela reportagem indicam que o método de ajuste de receitas tem relação com a volatilidade do cacau. Desde 2020, pragas climáticas e mudanças sazonais em Ghana e Costa do Marfim afetaram a oferta, elevando preços e pressionando margens.
Segundo o economista Alexis Villacis, o Chocolate passou a depender de estratégias como redução de peso por unidades ou troca parcial de ingredientes para manter custos baixos. A prática, comum entre grandes fabricantes, é alvo de debates sobre qualidade.
Ainda segundo o especialista, marcas da região europeia também reduziram conteúdo de cacau, substituindo por coberturas saborizadas. Em alguns casos, a definição de chocolate frente a sabor de chocolate ficou sujeita a regulações locais.
No fim de 2025, o mercado registrou queda de preços do cacau, após recuperação de plantações africanas. Mesmo com a queda, as fábricas já tinham adquirido parte da matéria-prima no patamar alto, limitando reduções de preço para o consumidor.
Para o público, a leitura de rótulos se torna ferramenta-chave. Produtos de linha de Páscoa exibem variações: itens com chocolate ao leite real mantêm o ingrediente principal, enquanto outros recebem coberturas com menos cacau.
Além de medir o impacto no bolso, analistas ressaltam que consumidores buscam opções com certificação ética e cacau de alta qualidade. Marcas premium aparecem como alternativa para quem não abre mão de conteúdo de cacau maior.
Brad Reese afirma que pode abandonar a compra de Reese’s caso a percepção de qualidade se deteriore de forma permanente. Ele argumenta que a confiança construída ao longo de décadas estaria em risco se a prática permanecer.
Especialistas destacam que a resposta das empresas pode mudar conforme a reação do mercado consumidor. Se houver adesão grande, as marcas tendem a reajustar formulações para retomar a percepção de qualidade.
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