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Bolha insustentável cresce no setor de fintechs

Bolha das fintechs privadas cresce com IA; listadas estagnam, privadas mantêm avaliações altas e atraem capital privado

Um dos fatores que pode sustentar a valorização das fintechs “vencedoras” é a habilidade dessas empresas em construir narrativas convincentes em torno da inteligência artificial
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  • A indústria de fintechs está dividida entre vencedoras com grandes avaliações e empresas que enfrentam dificuldades para obter capital ou despontar na bolsa.
  • Stripe registrou receita líquida de US$ 6,9 bilhões em 2025 e lucro de US$ 1,2 bilhão, com avaliação de US$ 159 bilhões, muito acima da Adyen.
  • Ramp tem avaliação de US$ 32 bilhões, mas a receita líquida provavelmente fica bem abaixo da receita bruta, o que levanta questões sobre o múltiplo associado.
  • Brex foi avaliada em US$ 5,15 bilhões em janeiro de 2026 após aquisição pela Capital One, enquanto Ramp é bem mais valorizada, destacando assimetrias entre privadas e públicas.
  • O mercado tem favorecido capital privado, com IPOs sendo menos frequentes e avaliações que podem indicar uma bolha, enquanto investidores buscam narrativas em IA para sustentar altas valorizações.

A indústria de fintechs vive uma divisão entre empresas que valorizam gigantescos crescimentos, captações vultosas e avaliações elevadas, e aquelas que enfrentam dificuldades para atrair investimentos ou permaneçam estagnadas na bolsa. O debate se concentra em como a narrativa em torno da inteligência artificial pode sustentar essas valorizações.

A Stripe, empresa de pagamentos de São Francisco, é citada como exemplo de “vencedora” pela sua ampla atuação em processamento, aceitação de cartões e uso de stablecoins. Em 2025, registrou receita líquida de US$ 6,9 bilhões e lucro de US$ 1,2 bilhão, com crescimento superior a 30% frente a 2024. Sua avaliação privada foi estimada em US$ 159 bilhões, conforme fontes próximas à empresa.

Diferentemente, a Adyen, listada em bolsa, processou US$ 1,6 trilhão em pagamentos no ano anterior, ante US$ 1,9 trilhão da Stripe. Defensores da Stripe argumentam que a empresa possui mais linhas de negócio e tende a crescer mais, ainda que haja dúvidas sobre manter a avaliação pública atual se a empresa abrisse capital hoje.

Divisões de avaliações e casos de private equity

A Ramp, de cartões corporativos sediada em Nova York, é apontada como outra fintech de peso com avaliação recente de US$ 32 bilhões, após anunciar US$ 1 bilhão em receita bruta anualizada. Contudo, especialistas destacam que a receita líquida pode ser consideravelmente menor, o que elevou o múltiplo de avaliação em relação à receita líquida no fim de 2025.

A concorrente Brex, que teve receita levemente menor que a Ramp em setembro de 2025, foi avaliada em US$ 5,15 bilhões em janeiro de 2026 com a aquisição pela Capital One. Mesmo com crescimento, args de mercado sugerem que a Ramp vale bem mais que a Brex, elevando o debate sobre conectores de valor.

Privado versus público na era da IA

Declarações de ex-sócios e gestores de fundos indicam que as avaliações privadas para fintechs líderes podem superar em muito os níveis de empresas listadas, gerando um descompasso entre mercados. Dados de monitoramento de negociações secundárias apontam alta expressiva no valor agregado das maiores fintechs privadas versus as listadas.

A tendência envolve uma mudança estrutural, com fundos de private equity e venture capital buscando oportunidades em mercados privados que crescem mais rápido do que os públicos. Especialistas ressaltam que apenas algumas fintechs públicas acompanharam esse ritmo recente.

Perspectivas e riscos

A narrativa em torno da IA aparece como elemento-chave para sustentar valorização de empresas consideradas vencedoras, com anúncios de novas funcionalidades e soluções baseadas em IA. Contudo, investidores continuam céticos sobre a sustentabilidade dessas avaliações diante de potenciais mudanças tecnológicas disruptivas.

Analistas destacam o risco de correções caso a bolha de investimentos em IA se desinfle. Entre as preocupações está a ausência de dados trimestrais públicos de algumas empresas privadas, o que dificulta avaliações estáveis para o investidor comum.

Impactos no mercado de capitais

O cenário sugere que IPOs podem se tornar menos frequentes, com menor participação de investidores do mercado público na formação de riqueza gerada por empresas de tecnologia. Enquanto isso, o capital privado permanece atraente para negócios ligados à IA, elevando o patamar de algumas valorizações.

Especialistas ressaltam a importância de acompanhar radiações de IA em modelos de negócios, fluxo de caixa e lucros, para entender se as altas avaliações se sustentam no longo prazo. Fontes consultadas indicam que o setor continua sob observação rigorosa de investidores institucionais.

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