- Espaçolaser mira crescer sem abrir lojas, estudando parcerias com marcas dos setores wellness, estética e saúde.
- A expansão depende de parcerias estratégicas e de atuação com equipamentos, mantendo a lógica escalável do modelo atual.
- A rede possui 810 unidades, atende a base fiel de clientes em shoppings de médio e alto padrão e busca levar esses clientes a novos serviços.
- Em 2025, o ticket médio ficou acima de R$ 1,4 mil, as vendas em lojas com mais de um ano cresceram 5,4%, e o EBITDA ajustado atingiu R$ 256,8 milhões com margem de 23,1%; há rios de risco ao considerar botox e preenchimentos.
- A dívida foi reestruturada, a alavancagem fechou em 1,78x, e a instituição recebeu linha de crédito do BNDES de 20 milhões em janeiro de 2026; economia com substituição de resfriamento pode chegar a até 32 milhões por ano.
A Espaçolaser, maior rede de depilação a laser do Brasil, avalia crescer sem abrir lojas, por meio de parcerias no universo wellness, estética e beleza. A confirmação veio em entrevista à Bloomberg Línea, com 810 unidades no país e foco em alianças com marcas do setor.
A CEO Magali Leite disse que a empresa vai buscar parcerias estratégicas que complementem o portfólio, sem necessariamente incorporar novos procedimentos. O objetivo é ampliar o alcance mantendo o modelo atual de operação.
A estratégia visa explorar a base de clientes fiel, frequentadora de shoppings de médio e alto padrão, sem mudar a lógica de escalabilidade. Parcerias com marcas coesas ao ecossistema de saúde devem exercer maior impacto do que a incorporação de novos procedimentos.
Parcerias e foco de expansão
Leite não revelou nomes nem prazos, mas indicou que há preferência por colaborações com marcas que ampliem serviços sem exigir nova estrutura de lojas. A proposta é avançar via equipamentos, como laser facial e ultrassom, mantendo o DNA de negócio atual.
A companhia também destacou riscos de entrar em áreas como botox e preenchimento, que competem com dermatologistas, biomédicos, dentistas e salões. Segundo a executiva, redes já envolvidas nesse caminho enfrentam mais concorrência.
Desempenho financeiro e investimentos
Em 2025, o ticket médio ficou acima de R$ 1.400, com alta de 10% ano a ano. As vendas em lojas abertas há mais de um ano cresceram 5,4%. O EBITDA ajustado atingiu R$ 256,8 milhões, com margem de 23,1%.
A substituição de sistemas de resfriamento a gás por equipamentos próprios já está 81% concluída, gerando economia de R$ 5 milhões no quarto trimestre. A projeção é chegar a até R$ 32 milhões por ano com a operação completa.
Dívida e apoio público
A dívida foi reestruturada em outubro, com quitação de passivos da holding e emissão de R$ 593 milhões em debêntures pela operação, reduzindo o spread de CDI de 4,5% para 3,25%. A alavancagem encerrou 2025 em 1,78x EBITDA, menor nível em quatro anos.
Em janeiro de 2026, o BNDES liberou R$ 20 milhões em linha de crédito de 16 anos, com juros Selic + 1,37%, para modernização de equipamentos. A empresa não informou outros detalhes sobre o uso desses recursos.
Desempenho de mercado e referências
No mercado, as ações da Espaçolaser encerraram em R$ 1,18, com alta de cerca de 13% no ano. O Itaú BBA mantém avaliação neutra e preço-alvo de R$ 1,20 para o fim de 2026, citando valorização limitada e desaceleração do consumo como principais riscos.
Leite ressalta que a gestão não se apoia apenas no comparativo com o Itaú BBA, acompanhando outras casas com visões mais otimistas sobre o papel da empresa.
Entre na conversa da comunidade