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Subsídio ao diesel será compensado por novo imposto, diz governo

Governo cria imposto sobre exportação de petróleo para financiar subsídio ao diesel, com arrecadação estimada em cerca de R$ 30 bilhões

Governo Lula cria mais um imposto para compensar zeragem de alíquotas do PIS/Cofins e subsídio a produtores e importadores de diesel (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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  • Governo propõe imposto de exportação de petróleo bruto (12%) e de diesel (50%) para compensar a desoneração de PIS/Cofins e o subsídio aos produtores e importadores de diesel.
  • A meta de arrecadação é de cerca de R$ 30 bilhões, para subsidiar o diesel até 31 de dezembro e manter até 31 de maio a zeragem dos tributos.
  • O efeito esperado é redução de R$ 0,64 por litro de diesel vendido às distribuidoras, sendo metade pela desoneração e metade pelo subsídio.
  • O IBP classifica o imposto como bitributação e alerta para riscos regulatórios e de competitividade no setor de óleo e gás.
  • Governo afirma que a taxação tem caráter regulatório para estimular refino e uso da capacidade instalada, enquanto especialistas questionam a duração e a aplicação do tributo.

O governo anunciou um pacote para neutralizar parte da alta do diesel, mantendo a desoneração de PIS/Cofins e financiando o subsídio a produtores e importadores. A medida é coberta por uma nova taxação sobre exportação de petróleo bruto e de diesel, com vigência indefinida segundo o governo.

A proposta, apresentada pelo Ministério da Fazenda, prevê arrecadar cerca de R$ 30 bilhões com a nova tributação. O valor compensaria R$ 20 bilhões da zeragem dos impostos federais e destinará R$ 10 bilhões ao subsídio aos agentes do setor, até o fim do ano.

A redução de preço para o consumidor final seria de aproximadamente R$ 0,64 por litro de diesel, repartida entre a desoneração tributária e o subsídio. A desoneração vale até 31 de maio; o subsídio, até 31 de dezembro, limitado a R$ 10 bilhões.

Governo ressalta caráter regulatório do imposto

Durante a coletiva, o ex-ministro Fernando Haddad defendeu que a cobrança sobre exportação terá finalidade regulatória, buscando reduzir exportações e estimular o refino doméstico para assegurar o abastecimento interno.

Segundo ele, duas refinarias operariam com ociosidade de até 50% e a taxação seria um estímulo para processar a maior parte do petróleo no Brasil.

Setor de óleo e gás reage de forma crítica

O IBP aponta que a legislação já prevê mecanismos de ganhos extraordinários em altas de preço, classificando a nova alíquota como bitributação que compromete a atratividade de investimentos. A associação cita royalties e participação especial como instrumentos existentes.

Para advogados do setor, o imposto, com natureza extrafiscal, pode configurar desvio de finalidade ao custear subsídio, gerando questionamentos judiciais.

Medida semelhante (em 2023) enfrentou resistência

Em 2023, o governo adotou medida parecida para compensar a elevação de preços, com uma alíquota de 9,2% sobre exportações de óleo bruto. O tema gerou debate com o IBP e entidades setoriais e, em 2025, o TRF-2 declarou ilegal a cobrança, determinando ressarcimento às exportadoras.

Estimativa de arrecadação pode divergir da prática

Relatórios apontam que a arrecadação pode ficar aquém do previsto, dependendo do volume exportado e da cotação do petróleo. A XP Investimentos aponta projeção de cerca de R$ 12,9 bilhões no período de quatro meses.

Obrigações aos postos ampliam o alcance político do pacote

Além da engenharia tributária, o governo impôs aos postos a instalação de placas informativas sobre o subsídio e a desoneração. As placas devem ter dimensões mínimas e ficar visíveis ao consumidor, segundo o Decreto 12.876 e diretrizes da ANP.

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